Eu acho muito interessante as pessoas me dizerem que abracei uma ” causa perdida” que é a violência contra a mulher. É uma causa perdida para elas, perdida para quem pensa igual a sua forma de analisar a questão. Outras alegam ” O governo liga para isso “, omissão dele e de todos os outros que não acolheram até hoje, a questão como deve ser encarada. Todavia, vamos fazer jus ao governo atual que tem trabalhado muitas questões importantes relacionadas ao problema. Lutar contra a violência doméstica por exemplo, não é ” modinha” como muitos dizem. É por conta de pensamentos assim, que esta não deve silenciada ou tornar-se esquecida, para ganhar visibilidade só quando for interessante para algumas pessoas que estão no poder. É importante sempre ter vozes, indivíduos conscientes, lutando por essa causa. Nenhum ganho feminino veio de graça; pelo contrário, morre mulheres todos dias por motivo fútil, por justificativas como ” O homem não foi preparado para lidar com separação, por isso mata”. Inadmissível tal pensamento. Não se pratica a violência porque você é um ser irracional. Se assim fosse, não teríamos evoluído; nos diferenciariamos das outras espécies. Quem mata, pode usar de inúmeras justificativas, mas racional você é, todos nós somos e tem capacidade de fazer as nossas escolhas. E se você mata, responde por isso. Agora, a causa é nobre e é preciso se continuar lutando por ela.
Pessoas que tentam prejudicar outras, usam máscaras ( disfarce) de boazinhas para passarem desapercebidas e aplicar seus golpes. Ludibriam pessoas boas; pessoas que sabem que podem inclusive lhes estender à mão, fazer o bem, ser amiga. Por terem má índole, agem sem esboçar qual gesto de culpa; não sentem remorso ou coisa parecida. O mal intencionado é calculistas, frio e desprovido de valores e qualquer amarra social. É extremista ao cubo; um verdadeiro lobo em pele de cordeiro.
Você pode ser a mulher mais fantástica na vida de um homem, se ele for um manipulador emocional, como vemos nos relacionamentos abusivos, certamente, ele vai te deixar louca. Esse homem vai fazer tudo o que ele puder para atiçar joguinhos mentais, e você não saberá lidar com isso. Claro, é uma tática para ludibriar a vítima. Lembrando que, além de homens, existem mulheres manipuladoras também. Mas eu estou falando de um cenários onde os homens acabam levando vantagens sobre as mulheres por uma questão cultural que se perpetua não só pelo abuso, mas também a violência como vemos acontecer diariamente. Quanto ” ignorante”, vou usar essa palavra é a vítima, mais vantajoso é para esse homem porque ele tem mais ” facilidade ” para agir” de maneira confortável com ela.
” Todo relacionamento abusivo fica fácil de identificar o manipulador “
Eu diria que ” não todos” até porque, como expliquei anteriormente, essa percepção, esse ” olhar desconstrutivo” referente à manipulação, vai sempre depender do ” despertar ” da mulher. Algumas têm mais facilidade perante essas situações. Já outras, manifesta um comportamento contrário até em relação ao que digo. Há mulheres que fazem vista grossa aos erros de seus parceiros. Elas tentam preservar a relação ao maximo que podem, com base em inúmeras justificativas. Quer um exemplo? Perdoar traição. Ela quer manter a família intacta. É um direito da mulher, sobretudo porque faz parte de uma escolha dela. Todavia, num segundo exemplo, para saber identificar casos de abusos e desrespeito, é preciso ter um olhar mais aguçado para notar certos comportamentos, como deixar o homem tocar em determinadas partes do corpo dessa pessoa sem um grau de intimidade. Isso não é possível. Para que esse ato ocorra, é preciso estabelecer essa intimidade, a confiança principalmente entre o casal. Você não conhece alguém hoje, e ja vai tocando na pessoa. Claro, quando você vai namorar uma alguém, é necessário haver uma fase de conhecimento, não tem porque avançar no sinal. Se esse detalhe fica claro, e se a pessoa toca em você ou cria situações meio constrangedoras para conseguir algo muito rápido de você, isso é abusivo da parte dela. No início, a mulher pode até ceder, mas numa relação consistente, ela vai notar que esse homem não vai respeitá- la excessivamente. Você entende o que estou dizendo? O abuso é gradativo. A violência psicológica por exemplo, se caracteriza por essa falta de respeito do parceiro em relação à mulher. O indivíduo, não consulta a pessoa em questão, se o que ele faz, é bom para ela; faz e pronto. Se a sua forma de agir a agrada ou não, pouco importa. Esse homem impõe uma coisa hoje, outra amanhã; no terceiro dia, ele demonstra uma postura mais rígida. Então, note que o abuso vai seguindo uma escala. É como um degrau que todo dia, ele vai tomando formas aos poucos e se sentindo melhor, porque se torna um acontecimento natural.
Entretanto, a mulher muitas vezes conhece a intenção do parceiro, mas ela não estabelece um limite; a grande maioria admite o consentimento em muitas ações. Embora, na maioria das vezes, isso a desagrade. Ela não faz por ter o mesmo desejo do homem; faz para não perdê-lo. Por outro lado, esse mesmo homem, não considera a infelicidade que a mulher vai mantendo. Ele ignora completamente, é o que ele quer e não se discute. Afinal, ela tem que satisfazê- lo. E se a mulher quer mostrar que aquilo não está bom, ele já arruma motivo para dificultar a relação- briga, xinga, oferece tratamento de silêncio. Não pode argumentar porque vai ter esse tipo de comportamento já esperado fo outro. Às vezes, até em tom agressivo. E a mulher vai se prejudicando na ordem emocional.
O que é importante nesses casos é não tolerar desrespeito. A mulher não pode se deixar fazer pequena na relação ou ser tratada como incapaz. Se as coisas não forem consensual, os acordos não são cumpridos, se não há respeito, sinto muito, mas neste caso, a resposta é clara: Não existe relação. A pergunta é: ” A quem você quer enganar?” Não, ” mais a mulher sempre foi tirada assim”. Foi, mas isso é um desajuste do passado. Hoje, homens e mulheres tem o mesmo poder de decisão dentro da relação. E digo mais ” respeito e diálogo ” são coisas importantes. Isso diz muito sobre a saúde da relação, a integridade a saúde em especial, de ambas as pessoas. Você não pode deixar que o outro te adoeça “em nome do amor” . O amor deve começar com você, entende isso? Só assim, você tem condições de lidar com o que sente por quem diz amar. O amor é uma construção que tem responsabilidade de duas pessoas para manter a relação sempre amigável, harmoniosa e respeitável. Do contrário, pode ter tudo, menos amor
Marii Freire. Todo manipulador emocional distorce a realidade
Durante esses três anos, escrevendo e conversando com mulheres vítimas de violência, o que mais vejo em suas falas é um ” pedido de socorro ” silencioso. Há mulheres que dizem: ” Todos os dias, sou ameaçada de morte”, mas ainda não consegui sair dessa relação, tenho medo e também penso nos meus filhos. O que quero dizer para você é: ” Não tenha medo ” , denuncie. Perigoso é você não ter tempo para pedir ajuda.
Penha, é a mulher que deu visibilidade aos casos de violência doméstica e familiar no Brasil, e que nos mostra o quanto continua sendo importante metermos a colher em briga de marido e mulher ” – e que apesar das muitas dificuldades que a mulher encontra muitas vezes para fazer valer o seu direito, aqui refiro-me à violência, que ela nunca pare de lutar, porque o exemplo que deixas é que todas podem contar a sua própria história, como diz: ” Sobrevivi…Posso Contar “. Acredite: você também pode.
O meu grande aliado na vida? O conhecimento. Nunca fiz parte do grupo ” fecundas e ignorantes “, portanto, ideal para ser uma boa mãe de família. Mãe de família, me tornei. Afinal, cumpri a minha função biológica. Agora, quando a ignorância quis se fazer presente na minha vida e tomar suas rédeas, eu disse: aqui não querida! O século é outro, e a minha postura também. Não peço licença para ser mulher, – eu sou mulher – que sabe atuar e gerir a própria vida perante esta geração.
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