As mulheres que se defrontam com essa realidade sabem que relativizar o problema, não o resolve. A questão não é julgar a vítima que na maioria das vezes não tem alternativa, mas ajudar a entender que ela precisa assumir esse grau de dificuldade que é enxergar a violência que sofre.
A necessidade de compreender o problema, ao invés de relacionar-se com ele faz muita diferença entre as vítimas. Primeiro, porque quando a mulher admite que é “ vítima “ , e essa é uma das maiores dificuldades; se enxergar nessa condição, faz com que ela passe a trabalhar maneiras de sair desse lugar ou seja, essa vitima assume uma postura mais segura do que quer. No entanto, o contrário disso é precário, porque acaba dando o aval para a próxima violência. Infelizmente, dentro desse contexto, é possível dizer que
“ A MULHER QUE APANHA E RELATIVIZA A VIOLÊNCIA QUE SOFRE, ELA SE RESPONSABILIZA PELA PRÓXIMA AGRESSÃO.”
O que preciso entender nesse caso é que, a violência é progressiva. Quem bate, não para no primeiro tapa. Por receio e vergonha, a mulher raramente expõe a situação. Na maioria dos casos, a violência é percebida por uma terceira pessoa; alguém próximo, que pode ser um familiar ou amigo, um referencial apresentado de fora da relação, mas que tem um certo grau de a proximidade.
No Brasil, o debate sobre violência se alonga. Enquanto isso, os números em relação ao problema crescem de forma estarrecedora, sem encontrar em tais debates, soluções pacíficas para a questão.
Ampliar as discussões sobre a violência doméstica, ajuda a por exemplo, trazer a sociedade para participar. Participar como? Ouvindo; conversando, estando mais atenta e conhecendo os sinais de abusos que são tão comuns e frequentes; ajudando as mulheres a argumentar e não minimizar o perigo que passam nas mãos de maridos e parceiros violentos.
Percepção do Problema
O aumento da percepção da violência é diferente entre os estados do Brasil. Veja, em Alagoas houve o registro de ( 85%) e na Bahia ( 84%), o que corresponde um valor acima da média. Em estados como Paraná e Minas Gerais ( 73%) desses casos foram registrados; tendo uma média baixa nos últimos 12 meses anteriores a pesquisa. Isso, conforme notícia vinculada ao site do ( Senado em agosto de 2026). Esse processo mostra que há oscilações entre os semestres e os estados como dito anteriormente.
Em contraponto, a violência não surge como uma equação exata, nem as vítimas relatam experiências exatas. Sabemos que elas suportam todo tipo de violência. Todavia, o entendimento majoritário, é que o homem ainda é o seu maior potencial assassino. Da relação consentida em nome “ do amor” ao algoz brutal, tudo é possível. A vida e a segurança da mulher são direitos fundamentais garantidos. Porém, frágeis diante do debate e da fúria de quem decide por próprio mérito ser o titular de desses direitos .
Nesse sentido, cristaliza a certeza de que o argumento em relação a vida é muito frágil e não flexibilizado diante da dignidade humana da mulher, que ainda precisa se sujeitar para não ser morta diante da fragilidade em que ela se encontra. Problematizar esse aspecto paradoxal, permite-nos avaliar que a integridade física e psicológica da mulher é um preço muito alto a ser pago. Muitas pagam com a vida o fato de dizer “ não “. E outras, acrescentam um valor maior na própria conta, como responsabilizar-se pela violência que sofrem ( como muitas fazem), por assim encarar uma realidade imutável. Mas a grande questão é “ imutável “ em nome do quê? Do ato impositivo do homem? O que abriga o último grau de sanidade da instância humana? Proteger a vida , mas em que face? Em qual aspecto? Não é sobre em que condição isso acontece, é sobre o estado de necessidade. A mulher necessita de proteção.
Marii Freire. Violência Doméstica
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Fonte/ Dados / Violência:
Imagem: autoral
Santarém-PÁ, 17 de outubro de 2026/ Amazônia. Brasil
