Quando se fala em feminicídio no Brasil, se costuma atribuir muitas definições atreladas a essa realidade. Mas, se você olhar para essa questão bem de perto, irá compreender que o ódio as mulheres é algo que tem muita força. E uma força que faz crescer todas as formas de violência. Portanto, não se mata uma mulher “ porque ela é mulher somente”. Veja, não se trata só de uma questão de gênero. É toda uma construção cultural, e o ódio que é o combustível fundamental para essa explosão de assassinatos. O ódio é o requisito que vem muito antes das manifestações negativas que vemos hoje a respeito de violência. Toda essa situação, acaba tendo relação com um arcabouço jurídico, institucional- ideológico que motiva voltar esse olhar para essa força esmagadora e que infelizmente, contribui para ceifar a vida de tantas mulheres no país.
“ Homens continuam matando mulheres, por entender que ela é parte da propriedade privada dele.”
Como escritora, eu me recuso a acreditar na definição de um único obstáculo para se trabalhar esse problema. E as injustiças, as diversas formas de atrocidades que foram silenciadas ao longo dos séculos ao redor do globo? Quantas narrativas sobre as mulheres foram construídas de forma inteligente e intencional para criar uma diferença abissal, especialmente, a inferiorização feminina; os espaços, a fala, o medo, até as formas de violência mais comuns que vemos hoje, – e a misoginia é uma delas. Todos esses são aspectos que precisam ser trazidos à baila para compreendermos não só as divergências como o pensamento masculino sobre as mulheres, como também aceitar o estrago que isso faz diante da sociedade. Portanto, não se mata mulher à toa. É preciso compreender o conjunto de todas as condições que foi estabelecida e a hierarquia dos sexos, assim como as questões que continuam trazendo preocupações relacionadas a essa moldura em que a mulher foi colocada.
Se o Brasil tem um índice significativo do aumento de mortes de mulheres ( feminicídio), é por conta das ideias do passado, especialmente, a forma de como a mulher era vista ou seja, como “ parte da propriedade do homem” . Na prática, esse é um ponto de debate importante porque, continuamos vendo mulheres sendo oprimidas; mulheres que não podem falar com ninguém, mulheres tendo a vida sendo gerida pelo homem dentro da relação; fora inúmeras outras coisas que, eu poderia reunir com o objetivo de tornar essa situação mais frutífera possível. Ora, em 2025, o Brasil teve 1.568 vítimas de feminicídio. São números que expressam muito bem, o teor dessa fala. E mostra, como o ódio é transformado em força letal para nós mulheres.
Marii Freire. Feminicídio no Brasil
https://Pensamentos.me/VEM comigo!
Imagem: autoral/IA
Fonte:
https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br
Santarém-PÁ, 20 de julho de 2026/Anazônia/Brasil
