Violência Contra a Mulher

Enxergar a violência pela qual está passando é crucial para que a mulher consiga se lembrar que antes, ela tinha uma vida, uma história, uma identidade. Muitas esquecem, inclusive “perdoam seus parceiros na expectativa de que estes, possam mudar de comportamento e não praticar mais abusos.

Apesar das várias demonstrações de que esses parceiros agressores não vão mudar; e quando falo “parceiros agressores”, refiro-me tanto ao homem quanto a mulher, porque os dois praticam violência. Há casos onde muitas mulheres vivem relacionamentos conturbados ( doentios), e passam situações extremas, muitas permeadas de machismo, menosprezo e intolerância, de ter que “ouvir coisas que provocam sofrimento” e que destrói o psicológico delas. Existem situações onde as ofensas causam feridas emocionais, porque o barulho que elas fazem geralmente é interno, uma vez que; calam-se em meio a violência que sofrem.

De maneira bem direta, é possível dizer que a mulher ” passa a mão na cabeça desse homem”. Ela desacredita do seu poder de renunciar. Prefere ” negociar” com ele para não ser punida de forma mais drástica que é perdê-lo, ou num ato de coragem, questionar e se posicionar. A maior dificuldade dessas vítimas dar-se por conta da ligação afetiva que elas têm com eles, e que é muito forte. Tão forte e significativa que elas “preferem” passar noites de sono, às vezes serem violentadas sexualmente, como se sabe que muitas mulheres são forçadas a manter relação sexual com os maridos, ou parceiros, em alguns casos sem perceber, e em outros, até com ex- parceiros porque são coagidas. Sim, a mulher sofre ameaças e violência de muitas maneiras. Todavia, vale ressaltar que, esses detalhes não devem ser ignorados, porque é através deles que, a violência contra a mulher tem sido perpétuada há séculos.

É inegável que as vítimas vão suportando ao máximo esse tipo de situação que é “viver de maneira incoerente”. A mulher por viver calada diante da violência, morre todos os dias. Ninguém está dizendo que o problema é de responsabilidade única e exclusiva dela, ou do Estado, não. Há falhas de todas as espécies. Mas elas ( às mulheres), são muito criticadas por viver com parceiros que lhes agridem. Como dito anteriormente, há muitas falhas. Talvez, a mulher ainda traga no inconsciente que ela é responsável por ” salvar a relação”, como aconteceu com nossas avós, mães inclusive. A verdade é que existe uma pressão muito grande em cima da mulher, isso é tão forte que faz que ela sinta culpa quando compreende que poderia ter feito melhor, e um pouco mais para que de fato pudesse ” salvar a relação “. Ninguém está dizendo que essa mulher não tem noção das coisas que acontecem, ou que ela permite que aconteça, tem. Mas a dificuldade maior é observada em relação a escolha. No momento em que, ao optar por viver e ter que saber lidar com os abusos e violência, há uma anulação, uma abdicação de direitos, que começa por ter essa dificuldade em dizer não. Por isso, é preciso mergulhar fundo nos contextos históricos e analisar a situação da mulher. De papéis de inferioridade, a ambientes hostis, a mulher vem lutando por igualdade e pelo direito de viver uma vida digna sem violência.

A luta da mulher ainda é árdua, longa inclusive. Mas o fato de não se calar, e não aceitar conviver com violência já é muito significativo. Sim, é preciso dizer que a mulher tem o direito de não viver com a desrespeita e trata com violência.

Marii Freire. Violência Contra a Mulher

https://Pensamentos.me/VEM comigo!

Imagem: pinterest/ WOMAN

Santarém, Pá 29 de novembro de 2022

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós- graduada em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Violência Contra a Mulher

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: