Eu tenho um cérebro e, especialmente, quero ser reconhecida por minhas ideias, não por outros atributos, ou situações relacionadas a beleza

Uma mulher sempre irá se destacar de muitas formas na sociedade. Eu por exemplo, não quero ser reconhecida por causa da beleza, ajuda- claro. Mas, tenho um cérebro e, especialmente, quero ser reconhecida por minhas ideias, não por outros atributos, ou situações relacionadas a beleza. Sei que sou capaz e me garanto no que faço. Não, posso me contar com o mínimo. Eu estudei e tenho capacidade de produzir bons conteúdos, de fazer com que as pessoas reflitam, questionem acerca do mundo, justiça, liberdade, bem como suas próprias vidas. Gosto do que faço. Quem me conhece sabe que falo sobre O Direito da mulher, violência e outros. Falar sobre violência numa cultura machista como a nossa é ter uma qualidade heroica. Eu tenho prazer ao que me dedico. Obviamente, ao fazer isso, defendo a mim e àquilo que acredito. Praticamente não existe outro meio de falar sobre violência se você não for fática. Sim, é preciso ter coragem e não se intimar com ameaças ou mesmo situações preconceituosas. Sempre que alguém tenta me convencer do contrário, eu digo: ” falar sobre violência é um trabalho de conscientização, mas acima de tudo, de persistência.

Embora eu acolha com respeito tudo aquilo que me trazem por meio de ideias e inovações, não levo em consideração todas as situações. Ora, imagine, falar sobre violência é mexer num véspero. Se um indivíduo não é capaz de respeitar uma Lei, ele vai respeitar outra pessoa que pensa diferente dele? Dificilmente. Falar sobre violência causa incômodo principalmente nos homens. Todavia, não é minha culpa, não sou eu que crio leis, nem dou suporte a práticas machistas que podem vir tanto de homens quanto de mulheres. A violência contra a mulher é uma realidade. A gente sabe que práticas machistas sempre foram normalizadas em nossa sociedade e, a questão da violência tem uma ligação muito estreita com tudo isso. É muito comum numa roda de conversa masculina por exemplo, surgir falas machistas, o que é reflexo de um comportamento abusivo e, obviamente que essa questão reflete resquícios do patriarcado.

Hoje em dia, as pessoas falam mais sobre a importância da conscientização sobre o problema e, de não reproduzir falas machistas, nem mesmo, a violência. Afinal, a reeducação da sociedade em relação a isso e muitas outras estruturas, que tem essa presença forte com o patriarcado, é o que de fato pode mudar [ se quisermos], e fizermos por onde modificar àquilo que parece impossível diante dos olhos humanos. A gente fala de situações seculares! A mudança é lenta, certamente. Trabalhar pequenas situações diárias ligadas a violência, não produz resultados imediatos. E, não falo só a respeito deste assunto, mas sobre tudo o que se deseja mudar. É importante falar, criar espaço ao diálogo entre os vários locais que estamos presentes para defender óbvio. A sociedade precisa amadurecer diante de muitas questões, e não só dessa. Todavia, o caminho começa sempre por uma vida educativas.

Para conseguir isso, é preciso que, muitas vozes trabalhem juntas. O debate sobre a violência precisa ser amplo, o que no meu entender, ainda não é. Muitos direitos estão em fase de discussão. A gente não fala de privilégio, essa não é a questão. A verdade é que não se trata de uma questão ligada a briga por direitos e privilégios como muitos dizem ” as mulheres querem privilégios ” não é. Se fala sobre violência e sobre a dificuldade de enxergar essa questão como algo importante na sociedade. É um direito da mulher não viver exposta a tamanha brutalidade. A verdade é que ela precisa ser respeitada, é isso que as pessoas precisam entender e não agir com ignorância.

A mudança, se deseja alcançar em relação ao problema, certamente, começa de dentro de casa. Mas para alcançar algo maior, a resposta deve ser coletiva. Muitas vezes, sou questionada, sobre o que faço e falo em relação a essa questão. Há pessoas que me perguntam ” Você é uma mulher bonita” deveria usar a sua beleza para falar acerca de liberdade, autonomia feminina, a própria questão do empoderamento e situações que provoquem um despertar no público feminino e masculino de forma eficaz, sem atacar aos homens. Dessa forma, você poderia “ganhar mais curtidas” em relação ao seu trabalho. A sua militância poderia ser mais leve. Eu rio e respondo- ” Eu não ataco os homens!” Eu estou lendo situações que na verdade, é oreflexo do comportamento abusivo, violento inclusive. Os números sobre a violência e os casos de feminicídios estão aí, e não sou eu que produzo essa realidade. O meu compromisso diante de tudo disso, é fazer as pessoas refletirem sobre o que elas mesmas produzem. Outra, eu não quero ser alguém que só reproduz comportamentos que não ganham força, ou ser ” donas de frases de efeito “. Mesmo sendo vista como uma mulher bonita, a minha preocupação é ser vista como alguém que pensa por si só. Uma mulher que se preocupa com conceito de Justiça, mesmo em meio ao preconceito e o machismo que sofre. Sim, uma mulher que tem coragem e capacidade de produzir um conteúdo e que, esse material fique para posteridade. Sim, para quem achar que ele é útil. Eu leio muito, logo, certas coisas me causam incômodo.

Em primeiro lugar, eu quero sim, ser alguém que não se cala diante diante do que é necessário. Falar sobre violência é abrir caminhos para que as mulheres possam se sentir mais seguras. Penso “Não basta “dar apoio” sem orientá-las. É preciso ensiná-las como se proteger. Eu sou formada em Direito, conheço a realidade sobre violência. A verdade é que as mulheres, ou parte destas, estão acostumadas com o problema, Elas crescem, muitas vezes, tendo que lidar com essa realidade, que torno a dizer ” é fruto do que exprime uma sociedade patriarcal, ou seja, o machismo é seus frutos. Só para você ter uma ideia, os filhos sempre nasceram/ nascem e veem a sua mãe apanhar calada dentro de casa- o que não é normal, e nem uma posição de ” privilégio “, rsrs. Mas de opressão. Portanto, é necessário compreender essas questões. A importância do ” não ” diante de uma situação de violência doméstica por exemplo, é o que impulsiona o combate ao machismo. Situações como : Você não pode me bater, nem me humilhar, seja em qualquer situação, principalmente diante dos meus filhos, é primordial na vida da mulher. É sobre isso que a mulher precisa falar e ensinar as filhas que não é normal apanhar calada.

A nossa sociedade é muito preconceituosa e machista. A verdade é que a mulher não precisa ser bonita e gentil, ou feia e obediente. Todas devem ser respeitadas. A opressão sempre leva a construção de coisas ruins, como gritos e violência, assassinatos e muitas outras situações- o que não é o ideal daquilo que se deseja. A mudança que se busca para melhorar a vida delas, assim como de todos, isso inclui os próprios homens, é a mudança pautada no respeito e, não necessariamente, algo que funcione somente pela força da lei. A gente sabe que a mulher por ser condiderada “mais frágil” foi o que nos ensinaram. Fomos educadas de maneira diferente dos homens, é isso vem de séculos. Desprotegidas na sua realidade, bem como a própria questão da segurança e seus direitos, a mulher tem lutado para mudar essa questão.

Embora seja inconcebível nos forçar a certas coisas, a mulher tem uma imagem ligada muito ao simbolismo, não a força, a um raciocínio rápido. Infelizmente, a história não foi muito ética conosco. O caminho a inteligência é algo a ser trilhado. Não que não tenhamos mulheres inteligentes, temos. Porém, a maioria precisa se aprimorar, se compreender, se respeita. E, acredite: escancarar as formas brutais daquilo que vivem e sofrem, a violência doméstica, com certeza é uma dessas questões.

Há mulheres que dizem ser donas da própria vida, também do próprio corpo, não são. São criadas num mundo extremamente machista e entendem o que são ensinadas. Mas não pensam por elas mesmas e, sofrem com o machismo diário. Podemos até ter experiências acalentadoras, mas a verdade é que não somos donas da nossa própria vontade.

Ainda há muito o que precisamos melhorar “

É importante pensar que sempre podemos melhorar [ se quisermos] e consentirmos trabalhar questões que são extremamente necessárias, se quisermos viver numa sociedade estruturadas, esclarecida, sabendo identificar o que é errado e trabalhar isso. É claro que eu poderia exemplificar inúmeras situações nesse texto, mas deixo para outra oportunidade. Obviamente, isso leva mais tempo, e pede consciência. Quanto a violência, digo as mulheres ” cuidem-se”. Não tem informação, vá atrás! Concientize-se, lute por seus direitos.

Marii Freire Pereira.

https://Pensamentos.me/VEM comigo!

Imagem ( Autoral)

Santarém, Pá 19 de abril de 2022

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós- graduada em Direito Penal e Processo Penal.

6 comentários em “Eu tenho um cérebro e, especialmente, quero ser reconhecida por minhas ideias, não por outros atributos, ou situações relacionadas a beleza

    1. Obrigada Mágica! Ora, eu sou formada em Direito, conheço a realidade das vítimas de violência doméstica. Vi essas mulheres com rosto deformado e criança de colo no braço. Participei de audiências onde via a dor, o medo e a desesperança no olhar dessas mulheres. É difícil!.. mas eu não poderiam agir diferente. Eu não quero fazer ” caras e bocas” ou ” usar de atributos físicos ” para chamar atenção do público atrás de ” curtidas”. Entenda, não crítico quem faz isso dentro de suas formas de trabalho. Só que não me encaixo nisso. Eu falo sobre dor humana, custa caro, é revoltante, compreende? Eu não posso levar só pelo lado da beleza, sabe? me vestindo e criando uma campanha com leveza” , eu já faço isso, quando trabalho a questão do ” amor próprio “. De maneira geral, eu quero fazer essas vítimas refletirem sobre as suas realidades. E, uma coisa te digo ” não é facil” porque muitas nem se percebem vítima dentro de uma situação dessa.
      Um país como o Brasil onde se tem que lidar com um sistema educacional falido e, compreendendo que muito disso reflete na vida de seus cidadãos, cidadãs…” encorajar” quem precisa de esclarecimentos e proteção da Justiça que também é outro problema- é desafiador “. Porém, gosto do que faço.

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