Por que tantas mulheres tem dificuldade em sair de relacionamentos abusivos?

Primeiramente, eu comecesse texto dizendo que há diversas respostas para essa pergunta. Mas, vamos partir de um ponto muito importante que é buscar referências no passado. Nossas avós, mães, tias e toda uma geração passada, é possível afirmar que essas mulheres, foram educadas de modo, a serem as maiores responsáveis por fazer com os seus casamentos fossem duradouros. A mulher foi educada para renunciar muitos dos seus direitos em prol do bom funcionamento da relação. Quer dizer, da harmonia entre o casal, bem como o respeito pela liberdadedo marido. Então, pela natureza do que foi ” imposto” a nós mulheres, se observa que esse detalhe dentro da nossa cultura em relação ao problema de relacionamentos ruins há uma “aceitação dessa violência ” que na maioriados casos, somos vítimas. Veja bem, o que hoje entra em conflito com o direito. Ora, imagine, se antes, essa mulher passava por situações de abusos, maus tratos e violência e ” relevava” como era ensinada a obedecer, ouvindo coisas como ” Seu marido estava de cabeça quente, minha filha ” ou ” Perdoe seu marido!” para que tudo fique bem, ou seja, para que a paz possa reinar novamente no lar. A mulher fazia o que? Perdoava, como até hoje perdoa em muitas situações. Mediante essa realidade, surge a seguinte pergunta: ” Quem era a figura dessa mulher? Certamente, um ser invisível que, estava ali somente para realizar as vontades homem, uma vez, que não lhe somama nenhuma alternativa diante da possibilidade de haver tratamento de igualdade entre o casal. Os abusos em geral, eram todos silenciados.

A violência contra a mulher foi ” naturalizada” no lar, aliás, foi ” domesticada” de modo que, nós mulheres, fomos e [continuamos sendo as suas maiores vítimas]. Por que a mulher continua alimentando essa resistência, em saber que a situação não é boa, ou já percebeu que o relacionamento é ruim por existir principalmente, a falta de respeito e abusos de toda natureza, mas muitas vezes, ainda que passando por situações de violência, ela se nega a sair? Eu sei que muitos diriam que é porque essa mulher gosta de sofrer. Mas esse é um julgamento errado. A mulher não ficar ao lado do homem que a machuca porque ele é ruim. Ela fica porque, mesmo sabendo que esse homem lhe causando algum sofrimento, ele também lhe oferece momentos bons. Quer dizer, há uma alternância entre a dor e o prazer – Ele a “humilha e diz que a ama”. Isso, causa uma confusão mental nela. É uma situação ruim, mas há momentos que esse homem faz um amor caprichado, “oferece flores”. Com isso, essa mulher não percebe, mas passa a viver por “migalhas”. O cérebro acostuma com essas situações. Tanto que havendo um rompimento entre o casal, cedo ou tarde, eles voltam novamente. E, mesmo em meio às brigas, a mulher vai cedendo até perceber que o que ela recebe é muito pouco. É quando surge os questionamentos, mas ela já se viciou naquela situação.

Em situações mais extremas, onde se percebe o excesso de violência, que é onde esse homem soca o cara da mulher, a empurra, bate de modo que, ela fica toda roxa, aí é que acende o alerta dela. É nesse momento em que a mulher diz ” Se eu ficar aqui, eu posso morrer”. É o limite do limite – A situação tem que chegar extremo para ela compreender que esse homem não a ama. Pois, mesmo havendo o desrespeito, ela ainda é capaz de tolerar o marido ou parceiro. Mas a consciência da morte, é que faz com que, ela saia daquela situação.

As histórias de abuso entre casais são horrendas. A mulher só rejeita a presença do homem que ama, no último grau de entendimento. No fundo, ela ainda acredita que lutando sozinha, esse homem possa mudar, que ele passe inclusive, a respeitá- lá, de modo que, a trate com carinho e amor. Isso é resquícios de uma influência da ” aceitação ” do que lhe foi ensinado há séculos atrás. O relacionamento que tendem a ir para esse lado doentio, ele é uma montanha-russa. Esse fato é inegável. E a mulher para não abrir mão de uma história muitas vezes que ela constrói mentalmente, já que só ela vive a ” a fantasia ” essa mulher tentar colocar em ordem toda bagunça do que vive. vive. Em outras palavras, entre ‘acertos e desencontros’, aquela relação tem que se estender ao máximo, de modo que, mesmo entre dores, essa mulher encontre algum prazer nessa construção afetiva.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/VEM comigo!

Imagem: pinterest/Wach this reel by 10st.girl on Instagram/ Pritam,kk. Mat Aazma Re From ” Murder 3″)

Santarém, Pá 8 de janeiro de 2022

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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