Quais os critérios que uma mulher deve ter para que ela não possa vir a ser estuprada?

Sim, começo esse texto fazendo uma pergunta a você, caro leitor:

” Quais os critérios que você observar como importantes, para que uma mulher não deva ser estuprada?” Dei- me pelo menos, duas razões.

O estupro é um tema recorrente em nossa sociedade, embora não seja comum falar sobre o tema com tanta frequência, é sabido que ele aconteça; e na maioria dos casos, conta com o silêncio de suas vítimas.

Falar sobre estupro é importante porque conscientiza a mulher a não aceitá-lo, a não ter medo da ridicularização, e do julgamento de outras mulheres, por ser mulher e, por sofrer um crime que abala o seu psicológico.

Toda mulher que passa por um estupro, ela fica visivelmente abalada, porque dentre outras coisas, lembra das cenas de brutalidade que sofreu através daquele ato. Razão maior que faz com que, por exemplo, muitas mulheres procurem uma unidade de saúde, mas não vá até uma delegacia denunciar quem cometeu o crime. Para a vítima, é muito mais cômodo “se resguardar” do ter que passar por toda ” tortura psicológica ” novamente, ao ser questionada como se deu o fato. A mulher sabe que além de rirem de sua história, ela vai ser apontada como alguém que ” facilitou” a situação.

Falar sobre estupro vem ganhando notoriedade, tanto com o caso da Mariana Ferrer, bem como o da Universitária Franciane Andrade de 23 anos em Jaguariúna ( São Paulo). O segundo caso, deu-se quando a mesma, havia saído beber em companhia de ” amigos”. Segundo a versão da vítima, ela teria sido dopada enquanto bebia com os amigos. Franciane não lembra do que ocorreu, mas através de exames, houve a comprovação do crime de estupro, e ela desafabou em suas redes sociais como uma forma de alerta outras mulheres que viveram situações como a dela. Quantas mulheres ‘sem rosto’ não vivem experiência dolorosas como essa?

A história da Mariana, como a da Franciane são situações bastante comuns, assim como tantas outras histórias que ficam no anonimato. A verdade é que, ainda que a mulher venha sendo encorajada a falar, ela tem medo da repressão. Porém, é importante reforça a ideia de que essa mulher precisa contar o wue houve, porque dentre outras coisas, isso facilita a sociedade conhecer quem são esses homens.

O estupro ele está enraizado culturalmente em nosso meio. Não há novidade em dizer que as mulheres têm pânico de sofrer uma violência como essa. Mas, como é um crime que perdura há séculos, ele não precisa ser contido como no passado. Mas, exposto para conscientizar a todos, e chamar a atenção da sociedade para o que ela precisa despertar.

O estupro tem uma estreita ligação com os modelos de comportamento do passado. Antigamente, para controlar a mulher, se impunha medo. Se dizia coisas como: ” Uma mulher que queira ser respeitada, ela não deve andar tarde da noite sozinha na rua, porque pode sofrer um estupro ” ou ” mulher para ser decente deve andar ” bem vestida”. Existia diversas condições dentro de uma regra comportamental, onde se obedecia o que era dito. Aliás, tudo o que se dizia, tinha peso de lei, como se isso valesse ( as nossas normas escritas hoje). Era comum respeitar essas regras, quem não respeitasse, sofria ” punições ” principalmente moral.

A mulher era muito reprimida por conta de sua ações. Ela vivia para ser exemplo as outras, assim como para os seus maridos. Simplesmente, se cultivou isso de maneira tão profunda que, se uma mulher se rebelasse e, por algum motivo quebrasse uma regra imposta, e pior, sofresse um estupro por exemplo, era porque deu causa, porque mereceu, tava com uma roupa curta. Havia toda uma carga negativa, a questão moral era levada a sério, tanto que mesmo hoje, se costuma julgar a mulher por trás do que descortinar essa trama. Evidente que, é um julgar mais leve, mas o peso cultural ainda se faz presente nessas situações.

Todavia, social e culturalmente, a sociedade vem mudando, assim como ” quebrando” determinados padrões. A mulher hoje, é julgada com menos peso do que antigamente, mas ela ainda sofre muita discriminação por conta de seu comportamento. Uma mulher que sai para beber, ou que usa roupa curta, ela ao agir dessa forma, não está pedindo para ser estuprada. Ela está querendo equidade, quer ter uma vida social como qualquer outra pessoa. O fato dela sair para beber ou praticar exercícios físicos ao ar livre, não significa que, porque estar com roupa curta ou justa ao corpo, que ela esteja dizendo a um homem que ” não deva ser respeitada”. Ao contrário, ela quer respeito. Ela quer ter o seu “direito de ir e vir” assegurado.

A questão primordial que vem sendo levada a discussão hoje, em relação ao estupro é, por que apesar da lei, o homem continua estuprando essa mulher? Independente, dela vestir o modelo do passado ou não, a mulher sofreu e sofre estupros. Claro, mesmo as mulheres do passado, que andavam com suas saias no tornozelo, elas sofriam estupro por parte de seus maridos. Então, quais são os critérios que uma mulher deve ter para que ela não possa vir sofrer um estupro? A mulher, seja dentro de casa ou fora dela, sempre sofreu com a falta de respeito, consideração e [consciência] do homem que sempre a tratou como um objeto sexual. Mais do que nunca, esse é o momento de falar. É preciso que esses homens respondam por seus crimes. Não basta cobrar da Justiça, a sociedade precisa revelar quem são esses homens, é não procurar ” justificar ” o wue não tem justificativa.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem & criação: Marii Freire Pereira _ pensamentos.me/ VEM comigo!

Santarém, Pa 3 de dezembro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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