Quando quem lhe deveria oferecer proteção, na verdade, é um abusador?

A sociedade sempre nos fez acreditar na ideia do homem protetor. Desde as histórias infantis, nós mulheres somos bombardeadas com informações que nos parecem verdadeiras. Quem não lembra da clássica cena da princesa no alto de uma torre? A mulher como sempre, é colocada como um ser frágil, como alguém que precisa de proteção do seu ” salvador” . Quem é esse homem? É o cavalheiro que surge em seu mundo, para lhe tirar do ” inacessível ” e lhe oferecer um mundo de oportunidades. ” ERA UMA VEZ…”

As histórias infantis são muito lindas e ao mesmo tempo, encantadoras. Mas a verdade, é que tudo isso, acaba representando uma grande armadilha mental para a mulher, porque não a ensina viver no mundo real, onde ela tem que aprender a se defender dos perigos. Nós mulheres, poderíamos ser poupadas de tantas histórias cor- de-rosa, e educadas mais para o mundo real, não o ideal; uma vez que temos que descobrir as duras penas, que o homem que deveria nos oferecer proteção e amor, é o mesmo que bate.

O grande problema dessas histórias infantis ( e o que estou falando você certifica na psicologia) é o fato delas todas terem um final feliz. Ou alguém já leu algo onde uma princesa teve um triste fim? Alguma acabou de um jeito tragico, digo ” terminou com um feminicídio?” Não né gente? Na época em que se criou essas histórias não se falava em feminicídio. Todavia, devido o crescente número do morte de mulheres por maridos ou ex-companheiros diariamente, é que se tornou importante falar no papel do homem abusador ( relacionamento abusivo). Por isso, mais do que necessário, é importante ensinar as nossas filhas que os homens nos matam, mais do que nos protege. A proteção propriamente dita só existe, enquanto fazemos aquilo que eles nos ordena. Se deixarmos de fazer, trava-se uma luta terrível. Os ataques surgem de todas as formas. Alguns até fulminantes, muitas vezes levado a mulher a óbito.

” Atrás da ideia de homem protetor que a sociedade nos faz acreditar, reside o homem abusador que temos que lidar.”

Essa realidade é comprometedora, porque no fundo, ela é negligente da parte de que nos faz acreditar. Na verdade, ‘não há responsabilidade por parte de quem a cativa.’

Acredito que um dos mecanismos que pode ajudar a mudar essa realidade é a educação. A mulher deve ser educada acreditando que ela é capaz. A educação tem que promover essa ideia de igualdade de modo que, ela seja muito forte do que aquilo que conhecemos na lei. Essa igualdade tem que ser muito mais presente no dia a dia dessa mulher de maneira eficaz. Sinceramente, eu não acredito que a mulher precise sofrer ou apanhar para se fazer cumprir a lei.

É triste perceber que as inúmeras diferenças [ ainda] nos separa da ideia de equidade. A mulher traz consigo uma herança do passado que faz com que ela ” pareça” aquele ser que precisa da proteção do homem, inclusive da aprovação dele sobre muita coisa na sua vida. Anos de direitos subtraídos, as tornaram mais alienadas do que nunca. Isso é visível, e ao mesmo tempo comprometedor, porque cria verdadeiras prisões sem grandes’ para elas que acreditam estarem sendo amadas.

A sociedade precisa compreender o novo papel da mulher. Mais, ela também precisa promover mecanismos que ofereça a essa mulher melhores oportunidades, seja nos espaços onde ela já consiga se destacar, assim como no próprio lar. Veja, uma mulher não pode continuar sofrendo maus-tratos por conta de homens que as menosprezam. O que estou falando serve só para o lar? Não. Serve para dentro de casa, para a rua e também para o trabalho. Enquanto o machismo imperar na vida de todas nós, pouco se avança. Você pode até conseguir igualar questão dos direitos, mas se não fazer com que estes sejam respeitados, cria-se um entrave na vida dessas mulheres.

Pensemos nisso!..

Marii Freire Pereira

https:// pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem e criação: Marii Freire Pereira/ pensamentos.me/ VEM comigo!

Santarém, Pá 25 de setembro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

3 comentários em “Quando quem lhe deveria oferecer proteção, na verdade, é um abusador?

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