Carlos Drummond de Andrade

Em verdade temos medo.

Nascemos escuro.

As existências são poucas:

Carteiro, ditador, soldado.

Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.

Cheirado flores de medo

Vestimos pano de medo.

De medo, vermelhos rios

Vadeamos.

Somos apenas uns homens

e a natureza traiu-nos.

Há as árvores, as fábricas,

doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,

este célebre sentimento,

e o amor faltou: chovia,

ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo…

Nevava

O medo, com sua capa,

nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,

meu companheiro moreno.

De nós de vós; e de tudo.

Estou com medo da honra…”

Carlos Drummond de Andrade. O Medo. Editora Nova Cultural. São Paulo, 1990

Marii Freire Pereira

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Imagem: pinterest/ PPath Rus

Santarém, Pá 22 de setembro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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