Stalking

“Cuidado, o tamanho do amor do seu parceiro pode ser resumindo no excesso de vigilância”.

Marii Freire Pereira.

Eu começo esse texto perguntando se você confia no seu parceiro? Se você não se sente incomodada com a forma de domínio que ele expressa em relaçãoa sua pessoa? Falo de atitudes, da forma como você é tratada. Sim, o que estou afirmando é bastante comum entre os casais. Às vezes a ideia de amor, não é estabelecida pela confiança, mas pelo excesso de vigilância. O stalking ou a perseguição, acontece sem o outro ter conhecimento do que o parceiro faz. Entenda, o que estou dizendo não é uma regra para todos os casais, mas grande parte dos relacionamentos tem se tornando uma prisão. Vigiar o parceiro se tornou uma prática costumaz e obsessiva. Mas, antes que eu fale a respeito disso vamos falar da lei do stalking? A Lei n°- 14.132/21 que entrou em vigor no dia 1° de abril de 2021, trouxe no artigo 147-A do Código Penal Brasileiro a seguinte afirmação: Perseguir alguém, rastrear por qualquer meio, ameaçar sua integridade física, psicológica, restringindo a sua capacidade de locomoção, ou invadindo e perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.

Pena: Reclusão, de 6 ( seis) meses a 2 ( dois) anos, e multa.

Dessa forma foi definido pelo novo artigo a prática de importunar constantemente ou assediar uma pessoa.

O crime de stalking é caracterizado por uma vigilância premente, ou seja, é uma espécie de prisão que apesar de não ter grades, deixa a pessoa sem direito, sem vida própria, ou seja, a perseguição do parceiro é algo limitador. A vítima vive com medo por conta desse comportamento que pode vir acompanhado de ameaças, ou ainda ” pequenos alertas”. Quer um exemplo? É comum a pessoa ouvir alguma colocação do parceiro que não faz sentido, ou seja, a pessoa que tem uma informação sua, ela não vai chegar de cara e dizer o que está acontecendo, até porque ela vai entregar a fonte, se fizer isso. Então, o que esse parceiro ” controlador” faz? Ele vai aos poucos dizendo para aquela pessoa que ele tem informação sobre ela. Isso sem que a vitima imagine. E aí surge a pergunta: como é que ele sabe? Como é que ele ” joga verde para colher maduro?” Vamos dizer assim, vou usar essa expressão antiga para você compreender melhor. É justamente porque ele consegue te viagir sem você saber. A verdade é que ” ninguém tem bola de cristal”. Se sabe, se fala, é porque essa pessoa tem em mãos uma informação privilegiada a seu respeito. É esse detalhe que você precisa ficar atenta. Só que a maioria das pessoa ignoram, porque não imaginam que alguém que você ama possa lhe ser tão astuto.

Vigiar é uma prática sorrateira, miserável até, posso dizer assim, articulada por muitos homens. É algo tão comum que um “manipulador” usa com as suas esposas, namoradas e até as amantes. Às vezes, ele está dizendo ” eu te amo”. Mas, atrás dessa declaração tem uma série de informações sobre você, e acredite: você que é a vitima, não sabe.

Alguns homens costumam ir além por causa desse excesso de controle, eles colocam espiões no seu celular ( programas pagos) , ou usam de outros meios para vigiar. Às vezes o homem compra um celular, pede para o atendente fazer esse serviço para ele, e ao voltar para casa, dar o celular a esposa. Ela fica muito feliz pelo presente ” de grego” e recebe aquele objeto. Um terceiro exemplo, é alguém na sua casa, claro – que estou falando de uma pessoa muito íntima, em geral é o companheiro mesmo, pega o seu celular numa distração sua ‘quando você vai dormir’ e faz isso. Lembrando que um aplicativo espião não aparece facilmente para você. Mas, ele fica entre todos os aplicativos do seu celular sem que você saiba. Portanto, para você perceber aquelas “coisas estranhas” que acontecem de modo repentino no seu celular, é um motivo para ficar alerta, digo desconfiar e não se tornar um objeto de manipulação do seu parceiro.

A vigilância no caso do stalking, ela é uma violência que reflete diretamente na forma de agir daquela pessoa, ou seja, quem está sendo viagiado. A constituição Federal diz que é crime. O inciso X do artigo 5° afirma – são invioláveis a intimidade, a vida e a honra das pessoas. A intimidade é algo seu, é particular. Tem direito de participar dela quem você permite, do contrário, é ilegal. A grande questão que fica na “corda bomba” é: O casamento, a relação de modo geral, como podem ser administrados perante essa informação? “A medida que você escolhe alguém para casar acaba os segredos”. Não sei, será que acaba? Isso depende muito da dinâmica de cada casal. Mas, não podemos esquecer de duas coisas: a mulher sempre viveu sob o controle do homem. Isso por inúmeras razões. Razões essas que sempre contribuíram para a prática do machismo, para a violências, para o controle. Agora, eu acredito que, o que tem que ser posto à baila é a boa-fé. Quando você quer agir de forma correta com uma pessoa, isso é natural, e neste caso sim, finda-se os segredos. Lembrando que, o stalking é uma prática usada tanto por homens, quanto por mulheres. É necessário dizer também que às vezes, a mulher assume esse posto de poder dentro da relação.

Apesar das muitas tentativas de controle do outro sobre você – o que é entendido como algo desonesto, o que as pessoas devem fazer é( se tem motivos para desconfiança ) a coisa correta é procurar ter uma conversa séria com a outra pessoa, e terminar a relação, pronto, segue a sua vida. A gente não precisa ” acorrentar” ninguém aos nossos pés. Se o amor é para ser vivido sob essa expectativa, não vale a pena. Mas, como eu estava dizendo, se você, já desconfia dessa vigilância, “aprenda a domar o tigre”. Ofereça a ele exatamente o que ele quer. Essa é uma dica grátis às mulheres, finja que não sabe e deixe ele se fartar do que deseja. Entenda uma coisa, ” a sua vida é única “, portanto, lhe pertence. Chega e fica nela, quem for merecedor da nobreza de seus atos.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem:

https://www.uol.com.br

Fonte: https://www.polize.com.br/artigo 5

https://www12.senado.leg.br

Santarém, Pá 18 de Agosto de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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