Câncer

“Agum dia você já se perguntou quantos dias a mais, tem de vida para valorizar o resto do seu tempo perto de quem ama?”

Marii Freire Pereira

Vivemos de modo tão intenso, com comportamentos repetitivos, que nem nos damos conta de olhar para o que é essencial a vida. Ora, o essencial a vida é ” a vida”. Nós queremos viver satisfeitos de qualquer forma, sendo sempre a prioridade diante de qualquer escolha.

Os nossos momentos mais importantes são aqueles que conseguimos preencher as nossas próprias lacunas com as respostas que atendem às nossas necessidades. E quando as respostas encontram propósito na dúvida? Como descobrir um câncer por acaso? Que entusiasmo nos resta? Como buscar respostas para justificar o mínimo da vida? O diagnóstico de um câncer é sempre algo devastador. Ele não acaba com o seu conforto, mais do que isso, ele atinge todo um grupo de pessoas que vivem ao seu redor. De repente, você descobre que já não precisa correr tanto, se esforçar, abusadar da maquiagem para parecer mais atraente para agradaros outros. O seu esforço e dedicação vai ser lidar com aquela nova realidade e ” degustar” a preciosidade dos dias que lhe resta, como a criança que ” rói” o caroço da fruta de sua preferência porque descobriu que ali, ainda resta algum sabor”. É um instante dor e comprometimento total consigo, e ao mesmo tempo, aquele prazer que você insiste em se esforçar até o momento da desistência. É por isso que a vida é comparada com a fruta que a criança insistentemente, não abre mão, pelo contrário, gosta, porque sabe que ela vai acabar, mas o que a mantém presa aquela situação, é a vontade de obter mais prazer.

Cada um de nós sabe que vai morrer. Aliás, já começamos a morrer depois que nascemos ( não lembramos que nascer dói), mas depois que chegamos a esse mundo, a luta é pela sobrevivência, é uma constante. Uma pessoa que descobre um câncer, ela valoriza ainda mais a vida, porque ela briga até o último segundo. E nós? Sim, eu você, as pessoas que são importantes para ela, as pessoas que sempre foram uma espécie de suporte na vida de quem se vê refém dessa doença? Algumas não se atentam a ” despedida”, mas há um curto prazo de tempo-para quem quer viver algum tempo-que agregue algum valor.

Há o ser humano! …E como há gente egoísta, sem percepção, ou que pensa só na riqueza do que os seus dias podem lhe render. Não quer contato, ter o trabalho de cuidar, de oferecer ao outro um pouco de calor humano. Já observou como existem pessoas assim? A despedida nesses casos, dar-se ali naquele exato momento em que a grita ” primeiro eu!”. Primeiro, o meu prazer, a minha liberdade, o meu direito de viver. E quem está se despedindo aos poucos? Qual é a urgência que a vida pede de imediato? Alinhemos com coerência os nossos pensamentos para olhar para o próximo com um pouco mais de humildade. Deixemos o egoísmo, o egocentrismo de lado, e sejamos mais humanos em nossas ações.

Às vezes buscamos tanto a perfeição, e nos esquecemos que o perfeito é só aquilo que moldamos através de nossas atitudes. O cuidado é com quem tem a saúde comprometida, melhor dizendo, éo que faz a diferençanessas horas. O maior gesto de amor é sempre com aquele que já não tem mais tempo, a não ser o desejo de ter mais vida dentro do tempo que lhe resta. Esse é o gesto de amor que expressam o afeto que temos uns pelos outros dentro da garantia de vida que temos. A constatação é só uma: ” considerar a angústia ” de quem faz parte de nossa vida e que morre aos poucos. Os prazeres, a urgência pela felicidade, isso pode vir depois. De fato, não é a coisa mais importante a ser visto como prioridade.

Lutar pelo bem-estar do outro, é um detalhe importante da nossa condição. A eternidade é algo que não nos pertence, mas, saibamos valorizarquem já contribuiu tanto para os nossos sorrisos. Um instante e tudo desaparece. Não valorizemos em memória, aquilo que poderíamos ter cativado em vida.

Marii Freire Pereira

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Santarém, Pá 14 de Agosto de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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