Quando a cantada não é um elogio, mas um crime

Quantas mulheres não são importunadas na rua por conta de cantadas ofensivas? Muitas. Se a mulher estiver com uma roupa curta e passar num ambiente aonde tenha vários homens, certamente, ela irá sofrer assédio. Os locais públicos são criadouros do nosso velho e conhecido machismo.

Ao longos dos séculos, perpetuo-se a idéia de que mulheres que andam com roupas curtas teriam menos valor do que aquelas que estivessem vestidos de forma decente. Isso representava uma forma do homem ter controle sobre a mulher, digo ” da sua forma de vestir, e se comportar socialmente”. A verdade é única: muitas atrocidades foram cometidas em nome dos ‘bons costumes’. Estando a mulher vestida de forma inapropriada ou não, ela sempre sofreu por conta de ‘ pré-conceitos carregados de adjetivos pejorativos. Muito se justificou e, ainda se justifica em relação ao tamanho de sua roupa. Alguns “centímetros” deixariam as mulheres mais vulneráveis a ser agredidas verbal e fisicamente. Inclusive, até passar por situações de violência sexual porque estas, não estariam sendo dignas de respeito. O que é visto como um absurdo, porque uma roupa não define quem somos, ou ainda revela a nossa posição na sociedade.

Um ” dos” grandes problemas que temos hoje, por conta desse resquício de machismo é a violência. Muito ainda se justifica em nome de hábitos criados outrora. Veja: hábitos criados aí para atender o interesse de um grupo, mas que se espalhou no mundo maculando a imagem da mulher na nossa sociedade.

Nada justifica as barbaridades criadas em cima de conceitos que produzem duras penas a mulher. É comum por exemplo, se ouvir coisas como: ” A mulher é estuprada culpa da sua roupa. A mulher é espancada culpa da sua permissividade” ( Miranda Wa)- Pensador.com. Será? Pensemos primeiro na violência e na forma de controle que chegaremos a uma resposta mais satisfatória. E quando uma mulher bem vestida também sofre assédio? Quando ela é estuprada? Mais ainda, quando ela anda com roupas longas e vive sempre dentro de casa? Se ela sofre uma violência sexual de quem é a culpa? Ora, a sociedade tem que parar de por ” panos quentes ” em questões antigas para tenta, e assumir a sua culpa por projetar seus monstros. A violência, o estupro ou a barbárie, nunca foram situações onde a mulher possa ser culpabilizada por seus resultados. Há perdas, renúncias e uma série de situações que nos deixam em condições desfavoráveis.

O fato que caracteriza a violência é o ódio pela mulher. Este, nutrido há séculos . Vamos trabalhar a coisa de um jeito que provoque inquietude e faça as pessoas pensar de modo, a construir consciência, a reflexão que de fato cabe ao assunto.

Nós não podemos sacralizar pensamentos arcaidos, para não levar adiante os mesmos erros , ou cometê-los na intenção de justificar a violência.

” Durante muitos anos, nos fizeram acreditar que nós mulheres, eram culpadas por ser estupradas por usar roupas curtas. Ou seja, nos impuseram o medo como forma de controle. “

Essa foi a forma mais injusta de negociar conosco. A violência é uma realidade. O assédio devem ser enfrentado todos os dias. Ora, estranho é cativar quem de forma ingênua nutri o respeito por quem pratica esses atos. Em todos os lugares sofremos assédio , seja como diarista, secretária, como a empresária do ano. Na rua ou em casa, ou seja, em todos lugares. Todavia, não justifica a violência.

Marii Freire Pereira

https://Pensamentos.me/ VEM comigo

Imagem ( Autoral)

Frases: Pensador.com

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Santarém, Pá 26 de Julho de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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