Abandono Afetivo

“O abandono afetivo é definido como ausência e negligência de cuidados do pai”. O filho que cresce sem um pai presente, sem alguém que lhe ofereça amor, carinho e proteção, é uma uma pessoa que tem um vínculo afetivo interrompido de maneira drástica na vida. É importante que toda criança receba de forma voluntária, e não por ” obrigação ” o amor do pai.

“O Brasil teve em 2020, mais de 80 mil crianças registradas sem o nome do pai”. Triste realidade para tantos nascimentos. É impressionante como o homem abandona os seus filhos, mas a mãe é quem acaba recebendo um julgamento moral injusto da sociedade, se abandonar um filho, muitas vezes por não ter condições financeiras de cuidar deste. Como se “a responsabilidade de oferecer carinho, proteção e cuidado” não fosse dever de ambas as partes.

“O dever de cuidado – é estabelecido no artigo 229 da Constituição Federal e o Estatuto da criança e do Adolescente, os pais tem dever de assistir, criar e educar os filhos menores e os filhos maiores tem o dever de ajudar a amparar os pais na velhice, carência e enfermidade.”

A lei é clara, como preconiza o artigo 229 da Constituição Federal. Mas, o sentimento que fica muitas vezes é, o sentimento de revolta da mãe e do filho por ter um pai ausente. Uma criança quer atenção do pai, porque isso transmite cuidado. Agora, se ela se sente ignorada, certamente, irá desenvolver por esse pai, o sentimento de repulsa. Claro, existe uma troca de informação que as vezes nem precisa de palavras, principalmente entre pai e filho. O cérebro identifica isso, diria até com uma certa naturalidade. A medida em que não sou amado, eu lanço sobre o outro, uma espécie de sentimento contrário. Só para você ter uma idéia, a criança sente que não é amada desde a gravidez. Portanto, quando ela nasce e percebe que não acrescentar nenhum valor aquela pessoa que deveria ter uma relação incrível, é a figura do pai, ela se sente ” abandonada” afetivamente. No seu íntimo é como se ela fosse um ser incapaz de representar valor a seu pai.

Vale salientar que o filho abandonado, ele tem muita informações com as quais não consegue lidar, e as demandas emocionais dessas pessoas é muito grande, porque faltou amor, ou carinho, na hora certa.

Abandono Afetivo gera reparação

Nesse quesito é importante dizer que o valor da indenização não vale as consequências morais que o abandono causou. Veja:

Um filho ou uma filha por exemplo, que recebe R$ 100 mil por indenização não fica feliz intimamente com aquele dinheiro. Por que digo isso? Porque “não há dinheiro no mundo que pague o abraço de pai” [ Marii Freire Pereira]. Não há dinheiro que pague afeto, distanciamento e frieza. Se você me perguntasse hoje: o que você preferiria, o dinheiro pra você gastar como uma forma de vingança, ou o abraço de um pai? O abraço de um pai. O ser humano ainda não têm valor. Carinho, respeito e cuidado, a gente não compra, essas coisas continuando tendo o mesmo valor [se ] doadas, se manifestadas de forma gratuitas.

Tudo na vida passa, tudo evolui. Mas, o ser humano continua tendo essa ligação estreita e umbilical com os pais, de modo, a não fazer separação do significado do amor, do afeto com qualquer outra coisa. O amor não busca encontrar outras pérolas […]. O amor de pai e filho é constituído apartir de laços afetivos. Claro, tem briga por suas formas mais complexas como essa. Mas, ainda assim, ele não deixa de ser amor.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem:Pinterest. Pretty Prosperity

Fonte/ dados:

http://www.em.com.br

http://www.jusbrasil.com.br

Texto: Marii Freire

Santarém, Pá 28 de Abril de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

10 comentários em “Abandono Afetivo

  1. Tema delicado e que infelizmente a sociedade de maneira genérica olha apenas a partir das consequências e muitas vezes – a maioria das – esquece as causas. No entanto, ter presente o abandono, a ausência de afeto deve ser prioridade nas políticas de Estado para a educação, geração de emprego, cultura, saúde, habitação, por exemplo, como alicerces formadores de um processo que diminua pelo menos as desigualdades sociais, econômicas e culturais. Tema pertinente e jamais deve sair de pauta.

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    1. Perfeito.

      Quê maravilhoso encontrar esse tipo de comentário por aqui, Fernando. É um tema delicado, e que precisa sim, ser trabalhado de forma concreta. Você observou os números de filhos que não têm o sobrenome do pai no registro?. Isso é muito pior se olharmos para o passado.Mas, é resquícios justamente dele ” passado”. Só que o que importa mesmo não é nem o nome no registro, é o amor que nunca chega, mas no lugar deste, o desprezo. Eu como “tantos” sou o exemplo disso. Minha ” pâe” , mistura de pai e mãe, teve que assumir sozinha uma filha que o pai negou. Cá estou bem, e escrevendo. Palmas para ela! 👏👏👏👏

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  2. Tema sensível e preemente…sem dúvida qualquer acontecimento negativo causa danos , porém com ajuda e auto estima são superáveis…a sociedade precisa sim,prestar mais atenção a cada nuance dos comportamentos,esse pai ausente muitas vezes também é um filho esquecido,triste.

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    1. É um problema gigantesco essa questão. Hoje temos a possibilidade de fazer com que esse filho, tenha o nome do pai no registro . Temos o projeto ” pai legal ” que e um dos meios para ajudar resolver essa questão.

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Comentários encerrados.

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