Pablo Neruda

VOLTA- SE A MIM como a uma casa velha

com pregos e ranhaduras, e assim

que alguém cansada de si mesmo,

como de um traje cheio de buracos,

tenta andar despido porque chove,

querer o homem molhar-se na água pura,

no vento elementar, é não consegue

senão voltar ao poço de si mesmo,

à minúscula preocupação de se existiu,

de se soube expressar-se

ou pagar ou dever ou descobrir,

como se fosse tão importante

que a terra com seu nome vegetal

tenha que aceitar-me ou não aceitar-me

no seu teatro de paredes negras.

Pablo Neruda. [ VOLTA-SE A MIM…]. Últimos Poemas. Edição bilíngue. Tradução de Luiz de Miranda. Porto Alegre, 2018

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem.amp.theguardian.com

Santarém, Pá 15 de fevereiro de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

3 comentários em “Pablo Neruda

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