Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noite quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…
Oiço olarias em flor às gargalhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…
Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…
Sou chama e neve e branca e mist’riosa…
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela Espanca. Horas Rubras. Vol 2. Livro de Soror saudade, Charneca em flor é Reliquiae. Porto Alegre: L & PM, 2018
Marii Freire Pereira
https://pensamentos.me/ VEM comigo!
Imagem: Portugal/ hardsadness
Santarém, Pá 9 de dezembro de 2020

Você precisa fazer login para comentar.