Sem Lei nem Rei, me vi arremessado
bem menino a um Planalto pedregoso.
Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso,
Vi meu mundo rugir. Tigre maldoso.
O canto do sertão, Rifle apontado,
vinha malhar seu Corpo furioso.
Era o Canto demente, sufocado,
rugido nos Caminhos sem repouso.
E veio o Sonho: e foi despedaçado!
E veio o Sangue: o marco iluminado,
a luta extraviada e a minha grei!
Tudo apontava o Sol! Fiquei embaixo,
na Cadeia que estive e em que me acho
a sonhar e cantar, sem lei nem Rei!
Ariano Suassuna. A infância.
Marii Freire Pereira
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Imagem: Pinterest. Jorgebispo.com
Santarém, Pá 27 de novembro de 2020

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