[…]
Tão estranho crescer, adolescer
com alma antiga, carregar coisas
que não se deixam carregar.
A indelével casa me habitando, impondo
sua lei de defesa contra o tempo.
Sou o corredor, sou o telhado
sobre a estrebaria sem cavalos mais nitrindo
casa de Fazenda na cidade,
o pasto, ao Norte; ao Sul, quarto de arreios,
É esse ar de café rolando em grão
na palma de sua mão – o pai é a sua casa,
e a casa não é mais, nem sou a casa térrea,
terrestre, contigente,
suposta habitação de um eu moderno.
Rua Silva Jardim, ou silvo em mim?
Carlos Drummond de Andrade. A Casa sem Raiz⁴¹
Literatura Comentada. Nova Cultural Textos publicados sob licença de Pedro Augusto G. Drummond. São Paulo, 1990
Marii Freire Pereira
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Imagem: Pinterest. PPath Rus/ Minas
Santarém, Pá 5 de novembro de 2020

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