Pablo Neruda

O Dia não é hora por hora,

é dor por por,

o tempo não se dobra,

não se gasta,

mar, diz a terra,

o homem espera.

E só

seu sino

está ali entre os outros

guardando em seu vazio

um silêncio implacável

que se repartirá

quando levante sua língua de metal

onda após onda.

De tantas coisa que tive,

andando de joelho pelo mundo,

aqui, despido,

não tenho mais que o duro meio- dia

do mar, e um sino.

Eles me dão sua voz para sofrer

e sua advertência para deter-me.

Pablo Neruda. Inicial. Últimos Poemas. edição bilíngue. Tradução de Luiz de Miranda. L&PMCLASSICOSMODERNOS. Porto Alegre, 2018

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem. Pinterest. Mensagens com Amor

Santarém, Pá 18 de outubro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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