Graciliano Ramos

” Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e frio. Ás vezes utilizava nas relações com as pessoas e mesma língua com que se diria aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que eles eram inúteis e talvez perigosa.²

Graciliano Ramos. Para amar Graciliano. Como descobrir é apreciar os aspectos mais inovadores de sua obea/ Ivan Marques- 1ed. Barueri, São Paulo, 2017

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: arquivo pessoal

Santarém, Pá 14 de outubro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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