Sociedade sintomática: por que funciona tão bem para quem enxerga na ignorância a oportunidade perfeita de dominação?

Uma sociedade que não discute seus atos, que não avalia a dimensão dos seus problemas, ela tem um futuro comprometido.

Quando se observa que numa sociedade existem pessoas perfeitamente normais, mas que têm acapacidade de cometer atos monstruosos, não porque seja ruim, mas por serem obediente as leis ou a ordens, vemos surgir aquilo que achamos de monstros, carrascos e outras denominações. Essas pessoas têm uma postura propícia a arrogância, agem como “loucos”, mas de loucos não tem nada. São normais. Elas, só não vêem maldade nos seus atos. Não questionam se é certo ou errado. Para elas é sempre certo. Agora, para o coletivo, nem sempre. Pode-se dizer por exemplo, que a partir desse tipo de perfil nasceram os ditadores, pessoas que se assemelham aos monstros da História. Gente que se você olhasse de perto, aparentemente eram normais, melhor dizendo ‘ são normais ‘ muitas inclusive ‘ aclamadas, com grandes qualidades entre o povo.

Imagine, se no passado, houveram tantos heróis, hoje não é diferente. Talvez, haja uma certa diferença. Mas, a verdade, é que esses ” heróis”, sim porque toda sociedade cria os seus heróis, fizeram com que pessoas inocentes pagassem o preço de seus interesses de forma perversa. Muitos por conta de suas reivindicações, ofereceram ao povo, nada menos que o menosprezo e do ódio. Inocentes pagaram com sangue a própria ignorância.

Pessoas que usaram posições, palavras éticas diante de milhares de multidões para defender erros imperdíveis diante da humanidade. Quanto abusos, miséria social contribuiram para desesperança e falta de sentido de vida de muitas pessoas? Para eles, que se aproveitam desse dessa negativa para dominar as pessoas, as suas atitudes sempre serão corretas. E para os que sofreram, os que foram perseguidos na história, será que foi? E os que hoje também sofrem perseguição, é correto?

Quem foram as vítimas do passado e Quem são as vítimas de hoje? Os ditadores sempre acataram como certo as suas decisões. Hitler foi um exemplo. O Nazismo deixou muitos filhos(…), muitos mortos, gente perseguida. Os Judeus foram pessoas que sofreram por não entender, por não saber distinguir ‘bondade de maldade’. E qual foi o preço? A tragédia, quantos morreram? Inúmeros. Quantas atrocidades viveram essas pessoas. “Carne humana em açougue!”, não tem como qualificar em palavras o significado desse tipo de situação.

A experiência mostra que a maior dificuldade das pessoas que sofreram perseguição no passado, é até aquelas de hoje, é não reconhecer aquilo que é visto como ‘imperfeição’, a falta de ressignificação dos valores, dos sentimento, é por aí vai. A busca por um lugar existencial. A ética, a moral, os julgamentos que surgem a partir disso, e que nem sempre se adequa às necessidades humanas, o valor de acordo com os sentimentos. Estamos falando a respeito de pessoas…

Eu poderia citar um exemplo de problema atual, em relação a isto, a Cracolãndia em São Paulo. Lá, as pessoas vivem e frequentam aquele lugar para usar drogas. O que foi feito para tirar aquelas pessoas de lá? O uso de um crivo sanitário ideológico de caráter reducionista. Resolveu o problema? Não. Sabe por que? Porque a questão relacionada as drogas é muito maior do que a realidade daquele lugar.

Em relação a essa questão, não se trata de impor a ética para ter como finalidade a banalização do que vivem aquelas pessoas. O problema é maior. A sociedade faz vista grossa porque não pode trabalhar o problema. Então, o que ela faz? Fragmenta é procurar solucionar ” parte” deste, que é sempre sem sucesso. E, se me perguntar por que aquelas pessoas estão ali, eu respondo: ” por inúmeros motivos “. Talvez, o primeiro deles seja não pensar […], e com isso são jugados com sentimentos negados a própria pessoa que representam. É uma parte sintomática que tem dificuldade de se reconhecer. Para eles, aquela situação não representa um problema. Já para outros, sim. Diferente deles que vivem aquela realidade, aos que estão de fora, aquilo tem o outro peso. Os que fazem as regras, procuram oferecer a sociedade uma vida harmoniosa. Mas, quem faz uso dessas regras, pode muito bem procurar invertê-las e usar a seu favor.

[…]

Os que se aproveitam da lei para realizar atos que considera-se monstruoso, se vêem como pessoa normais. E os que não reconhecem as suas faltas,as pessoas que têm uma certa dificuldade de compreender o ‘ certo e o errado, elas só recebem como aquilo que lhes oferecem como o correto, sem questionar. São pessoas destinadas a seguir quem se diz suposto a zelar pelo bem de todos. E muitas vezes, aí mora o perigo. É preciso ensinar as pessoas a pensar, questionar…sempre o que é o correto.

É fundamental que a sociedade prepare as pessoas para questionar, argumentar acerca dos fatos, porque nesse caso, ele não vai acatar tudo ” mastigado”. Ele vai saber perguntar o porquê de determinadas situações. É bom que o indivíduo receba diversas informações, mas questione até que ponto aquilo é correto. O ideal é que se reflita sobre o que tem dúvida. E não deixe para que o outro possa fazer um juízo de valor por ele. Um outro exemplo, temos o cenário político, quantos pagam pela própria ignorância? Muitas pessoas.

Ora, imagine, um cidadão que quer ascensão social, ele é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir. Um político Faz uso da ética, da moral, de valores…de maneira distorcida para chegar onde quer. A nossa sociedade tem muita gente que tem dificuldades para enxergar isso. E se “peca “, quase sempre pelo mesmo motivo: não refletir corretamente. Há uma frase da Hannah Arendt que diz o seguinte: ” coloca-se valores na vida do outro, quando ele não representa muito daquilo que menosprezo. Neste caso, posso fazer uso disso como bem entender…”. Bondade e maldade é preciso saber identificar, como ela mesma afirma.

É importante construir uma sociedade, discutir, ” interagir “, com uma certa autonomia, porque isso dá a ela o custo e o preço da realidade. É aquilo que pode ser avaliado dentro da nossa sociedade contemporânea. Não pode falta discernimento, pois neste caso, sobram abusos.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: google. funchalnoticias.net

Santarém, Pá 30 de setembro de 200

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

3 comentários em “Sociedade sintomática: por que funciona tão bem para quem enxerga na ignorância a oportunidade perfeita de dominação?

  1. Um ” dos” erros da humanidade: não saber distinguir ” A banalidade do mal”. Assim nos coloca a Hannah Arendt. Eichmann, Hitler são exemplos de pessoas que procurei trabalhar nesse texto com a ajuda do pensamento de Arendt. Todavia, tal realidade se estende aos dias atuais. A gente observa que pessoas que não conseguem pensar sozinhas, elas têm uma dificuldade enorme de identificar os problemas. E aí, se apega a qualquer coisa, achando que aquilo pode representar as suas necessidades quanto ser humano.

    Um forte abraço!..

    Marii.

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    1. Philip, obrigada amigo pela a sua gentil manifestação.
      As vezes você constrói um texto importante como esse, mas as pessoas simplesmente ignoram. Depois que querem respostas, sendo que elas mesmas deixam de contribuir para a construção destas.

      Um abraço!

      Curtido por 1 pessoa

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