Época de incertezas

Chega um tempo em nossas vidas que tudo pousa sobre um momento em que se morre aos poucos. A vida vai esvaindo-se, e juntamente com ela, os sonhos, as expectativas, os desejos. De repente, tudo é incerto…

É um momento que você se desconectar do mundo, pessoas, amigos, tudo. É uma espécie de ruptura anunciada. Existe ali, uma percepção tardia do que você não deu importância na hora certa. Não é uma certeza que a coisa desanda exatamente não no momento em si, mas começou lá atrás quando por algum motivo você não deu a devida importância. Às vezes, são situações que foram ignoradas, outras porque você quis pagar o preço ou simplesmente aventurar-se. Folgadamente, diz-se que, confiança exacerbada é um convite para os claustros que nos mesmos construímos. Não importa, pois nunca se sabe até quanto isso é verdadeiro.

” Desculpas não vêm mais cedo. Arrependimento sim, esse sempre chega tarde.”

A sensação de tempo desperdiçado resulta nessa falta de propósito. No cotidiano, vamos deixando um pedacinho de nós por todos os lugares. O que implica em ficarmos mais atentos para quando essa época de incerteza chegar, sabermos administrar as dificuldades melhor.

É comum pessoas próximas a nós, perceber essa mudança pela qual passamos. Diria que é um momento não adaptável. E quando isso acontece, há uma provocação daqueles que nos cercam. Em geral, tem sempre uma pessoa que fala mais, chama a atenção ” briga mesmo” , para fazer com que se volta a consciência. Dizem que aqueles que mais brigam conosco, são os que realmente nos ama de verdade. É daí que surge o ditado : ” eu só brigo com que amo”. Há de ser, porque essa pessoa tenta nos ajudar, nos entender. Contudo, quando se individualiza demais, não damos a menor atenção para essas pessoas. Pena! porque só mais adiante é que vamos saber o que nos foi dado e não tomamos consciência.

[…]

Interferir sobre uma realidade é sempre muito delicado. Há situações que somos receptivos e outras, não. Simplesmente, nos recolhemos no nosso mundo e a pessoa pode falar o que quiser, e não mudamos. O “não mudar”, às vezes tem o seu lado negativo, pois por teimosia se paga um preço muito caro. Principalmente, quando o preço é a ruptura com pessoas que amamos. Quando eles se tornam ausentes é que se descobre o quanto essas pessoas eram valiosas.

É bom mudar. Mas, mudar com um destino certo, onde se sabe que o resultado de nossas buscas, que estas, não sejam caminhos pedregosos. Quando não há remorso, dor pela ausência, nenhuma mudança vale a pena.

[Lamentar…não traz ninguém de voltar]

Quando tiver que mudar, opte por descobrir aquilo que corta a beleza do sol no final da tarde. Pela paz que te distância dos caminhos da solidão.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem: Pinterest. Karla Abelenda

Santarém, Pá 24 de setembro de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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