Florbela Espanca

Fui Essa que nas ruas esmolou

E fui a que habitou Paços Reais;

No mármore de curvas ogivais

Fui Essa que as mãos pálidas poisou…

Tanto poeta em versos me cantou!

Fiei o linho à porta dos casais…

Fui descobrir a Índia e nunca mais

Voltei! Fui essa nau que não voltou…

Tenho o perfil moreno, lusitano,

E os olhos verdes, cor do verde Oceano,

Serei que nasceu de navegantes…

Tudo em cinzentas brumas se dilui…

Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,

As que me lembro de ter sido…dantes!…

Florbela Espanca. Lembrança. V.2/ Florbela d’alma da Conceição Lobo Fonseca. Porto Alegre: L& PM, 2018

Marii Freire Pereira

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Imagem: arquivo pessoal

Santarém, Pá 11 de setembro de 2020

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante