O desejo de ser pai

Antes mesmo de escrever esse texto, deixe-me fazer uma pergunta : para ser pai, é preciso que as pessoas sejam de sexos diferentes?

Para ser pai, antes de qualquer colocação, é importante observar que um pai independente do sexo, ele deve oferecer amor, carinho e segurança para uma criança, ou seja, tem que oferecer as condições mínimas para que uma criança se sinta protegida. Necessariamente, não precisa que os pais sejam de sexos diferentes. O que vai importar é o afeto que a criança recebe desde o nascimento.

Nessa cultura que enaltece muito a figura do pai, ou seja, da presença do homem, há uma resistência muito grande por parte da sociedade quando dois pais, por exemplo – optam por assumir a paternidade. Pois o ideal é que o homem e a mulher formem uma família. E há casos, onde se observa essa ruptura, diria essa ‘ quebra de padrão’, parece que o sonho desmorona em relação a prole. Se você levar em consideração o problema da separação, é muito mais complicado, porque fica uma coisa muito competitiva, e que sobra brigas no final, menos carinho aos filhos. Estes, tornam-se reféns de pai e mãe dentro dessas condições.

Claro que, é preciso falar que os casamentos se desfazendo, e quando isso acontece, vão junto com eles às vezes, os sonhos de uma família inteira. Todavia, o que não deve acontecer é o desprezo pelos filhos. Afinal, estes, são os que mais sofrem.

Se olharmos para trás, a busca de coser pensamentos, a gente corre o risco de errar em relação algumas histórias. Até porquê, sabe-se que a maioria desses conceitos em relação a família, eram perpetuados de ilusões. Apesar de existir um conceito de família sólida, sabe-se que amor, carinho e afeto, não era algo muito presente nessas famílias. Existia a condição de cuidar, como existe até hoje. Mas, o que assegurava a harmonia de um casal é até os prováveis filhos que eles tivessem, definitivamente não era o amor, o afeto e o diálogo, menos ainda o direto a igualdade. A família tradicional, era muito mais uma instituição baseada na hipocrisia, ou seja, aquela coisa falsa mesmo. Na verdade, essa história atrelada a família só conseguiu evoluir depois de passar por muitas adaptações . Aí sim, olhou- se a necessidade da criança, do filho.

O fato é que nem todo muito presta atenção nessa história, é por isso que no começo do texto perguntei a vocês: ‘para ser pai, para formar uma família é preciso que as pessoas sejam de sexos diferentes?’ Não. A verdade é que não. Dentro desse conceito saudável de família, o que próspera é a idéia de que, quem chegar, quem vier formar essa família, possa ser alguém que traga amor, respeito e carinho. O objetivo principal é mostrar afeto. A edificação psíquica da criança irá precisar desse detalhes importante, assim como, de outros. Mas, o principal é o amor. Portanto, não impera mais a questão biológica dentro do conceito de família. Evidente que não perdeu o sentido de um homem querer ser pai e oferecer tudo isso. Continua valendo e é louvável. Agora, a idéia contraria é reparar o falta daqueles que acabam ido de encontro a isso. O conceito de família hoje, ele é plural. É por esse detalhe que existe a proteção dentro de tantos modelos. A transformação do modelo patriarcal foi evoluindo com o tempo, e dessa forma, esse ele vem ganhando condições sólidas que culturalmente vamos acompanhando essas mutações, esses valores que vão sendo agregados no sendo de mudar, e ganhar um significado maior.

O sonho de pai, de ser mãe, é algo que tem que ser considerado, porque olhando para o lado da subjetividade por exemplo, você acaba tendo uma evolução psicológica. Há um encanto que faz com que você deseje dentro de si, a chegada de uma criança. É natural que você prepare um espaço para ela, que compre roupinhas, sapatinhos, pinte o quarto de azul, que prepare um “enxoval de afeto”. Não é só um sentimento que você manifesta, é depois (…) , é oferecer cuidado para quem chega. O filho é alguém que veio para a sua vida para agregar valor. E a linguagem universal é o amor, a proteção em si. E você só oferece se for capaz, se tiver.

Às vezes, é comum notar que existe a presença de um genitor, aquele que gera ( que ofereceu o material genético), não o pai zeloso. O pai mesmo é aquele que oferece ‘o cuidado’, o vínculo maior que se alia aos deveres.

Bonita essa forma de amar, não? Cuidar, proteger, assegurar um lugar aonde essa criança seja bem tratada, e se sinta segura. Essa é a questão que importa hoje. Se você tem a vontade de ser pai, esteja certo de que uma criança irá precisar muito de você. A responsabilidade afetiva é algo que não podemos abrir mãos. E aquilo que considero como mais importante: O Amor. Abrace, beije, diga o quanto a ama. É com base no que essa criança recebe que um dia ela também terá a condição de formar uma família…terá o desejo de ser pai

Boa paternidade a você!

Marii Freire Pereira

Imagem: Got lt Photography.

Santarém, Pá 24 de agosto de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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