Carlos Drummond de Andrade

A noite

desceu. Que noite!

Já não enxergo meus irmãos.

E nem tão pouco os rumores que

outrora me perturbava

A noite desceu. Nas casas, nas ruas

onde se combate,

nos campos desfalecidos, a noite

espalhou o medo e a total

incompreensão.

A noite caiu. Tremenda, sem

esperança…

Os suspiros acusam a presença negra

que paralisa os guerreiros.

E o amor não abre caminho na noite.

A noite é mortal, completa, sem

reticências,

a noite dissolve os homens, diz que é

inútil sofrer,

A noite dissolve as pátrias, apagou os

almirantes cintilantes!

Nas suas fardas.

A noite anoiteceu tudo…O mundo não

tem remédio…

Os suicidas tinham razão.

Aurora, entretanto eu te diviso,

ainda tímida, inexperiente das luzes

que vais ascender

e dos bens que repartirás com todos

os homens.

Sob o úmido véu de raivas, queixas e

humilhações,

advinho- te que sobra,

vapor róseo, expulsando a treva

noturno

Havemos de amanhecer.

O mundo se tinge com as tintas da

antemanhã

e o sangue que escorre é doce, de tão

necessário

para colorir tuas pálidas faces, aurora.

Carlos Drummond de Andrade. À Noite Dissolve os Homens.

https://www. escritas.org

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. One Pixel Unlimited

Santarém, Pá 3 de Julho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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