Camilo Pessanha

Só, incessante, um som de flauta chora,

Viúva, grácil, na escuridão tranquila,

_ Perdida voz que de entre as mais se exila

_ Festões de som dissimulando a hora

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila

E os lábios, branca, do carmim desflora…

Só, incessante, um som de flauta chora,

Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,

Cauta, detém. Só modulada trilha

A flauta flébil…Quem há – de remi-la?

Quem sabe a dor que sem razão deplora ?

Só, incessante, um sim de flauta chora…

Camilo Pessanha. Ao longe os barcos de flores.

Culturafam. cmais.com.br

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Santarém Turística

Santarém, Pá 28 de junho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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