Noel Rosa

Quando o apito da fábrica de tecidos

Vem ferir os meus ouvidos

Eu me lembro de você

Mas você anda

Sem dúvida bem zangada

Está estressada

Em fingir que não me vê

Você que atende ao apito de uma chaminé de barro

Pir que não atende ao grito

Tão aflito

Da buzina do meu carro

Você no inverno

Sem meias vai pro trabalho

Não faz fé com agasalho

Nem frio você crê

Mas você é mesmo artigo que não se imita

Quando a fábrica apita

Faz reclame de você

Nos meus olhos você lê

Que eu sofro cruelmente

Com ciúmes de você

Com ciúmes do gerente

Impertinente

Que dá ordens a você

Sou do sereno poeta muito soturno

Vou virar guarda- noturno

E você sabe por que

Mas você não sabe

Que enquanto voce faz pano

Faço junto ao piano

Estes versos pra você.

Composição: Noel Rosa: Três Apitos

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google. Jornal. usp.br

Imagem (1910- 1937)

Foto: Reprodução

Santarém, Pá 19 de junho de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Noel Rosa

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