Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fogueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

_ Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é -lago sereno,

O céu – um manto azulado,

O mundo -um sonho dourado,

A vira-um hino d’Avignon amor!

Que auroras, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado de estrelas,

A terra de aromas cheia,

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!

Oh! meu céus de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

É beijos de minha irmã!

Livre filha das montanhas,

Eu ia bem satisfeito,

Santarém camisa aberto o peito,

_ Pés descalços, braços nus_

Correndo pelas campinas

À roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!

…………………………………………….

Casimiro de Abreu. Meus oito anos. ( In: Antonio Candido e José A. Castello, p.41) Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 27 de maio de2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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