A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam sair palavra confusas:
Por florestas de símbolos, lá o homem cruza
Observado por olhos ali familiares.
Tal longos ecos longe lá se confundem
Dentro de tenebrosa e profunda unidade
Imensa como a noite e como a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons se transfundem
Perfumes de frescor tal a carne de indantes,
Doces como o aboé, verdes igual ao prado,
_ Mais outros, corrompidos, ricos triunfantes,
Possuindo a expansão de algo inacabado,
Tal como o almíscar, benjoim, e incenso,
Que cantam o elenvar dos sentidos e o senso.
Charles Baudelaire, Flores do Mal, Correspondência ( 1881)
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Instagram
Santarém, Pá 21 de maio de 2020

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