“Não faça versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia
Diante dela, a vida é um sol estatístico,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não
[ contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à
efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentaram a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixe-a em paz.
O canto não é movimento das máquinas nem o segredo
das casas.
Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas
[junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia ( não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir…”
Carlos Drummond de Andrade. Procura da poesia. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 15 de maio de 2020
Lindo 💐
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Lindo!👏👏👏
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A poesia é absorvida da Verdade Espiritual…
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A poesia é o alimento da alma!
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