Carlos Drummond de Andrade

“Não faça versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia

Diante dela, a vida é um sol estatístico,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

[ contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro

são indiferentes.

Nem me reveles teus sentimentos,

que se prevalecem do equívoco e tentaram a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixe-a em paz.

O canto não é movimento das máquinas nem o segredo

das casas.

Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas

[junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza

nem os homens em sociedade.

Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.

A poesia ( não tires poesia das coisas)

elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,

não indagues. Não percas tempo em mentir…”

Carlos Drummond de Andrade. Procura da poesia. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo, 1945

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 15 de maio de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

4 comentários em “Carlos Drummond de Andrade

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