Tomás Antônio Gonzaga

LIRA I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado,

de tosco trato, de expressões grosseiro,

dos frios gelos é dos sóis queimado.

Tenho próprio casal e nele assisto;

dá-me vinho, legume, fruta, azeite:

das brancas coelhinhas tiro o leite

e mais as finas lãs de que me visto.

Graças, Marília bela,

graças à minha estrela!

[…]

Irás a divertir-te na floresta,

sustentada, Marília, no meu braço;

aqui descancarei a quente sesta,

dormindo um leve sono em teu regaço;

enquanto a tua luta jogam os pastores,

e emparelhados correm nas campinas,

toucarei teus cabelos de bobinas,

nos troncos gravarei os teus louvores.

Graças, Marília bela,

graças à minha estrela!

[…]

Tomás Antônio Gonzaga. In: Antologia da poesia arcade brasileira. Organização de Pablo Simpson. São Paulo, 2007

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 4 de maio de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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