Amor: a idealização humana

” Quem ama inventa as coisas a que ama”

Mario Quintana.

“…Talvez chegaste quando eu te sonha” . Esse ” quando ” eu te sonhava”, revela a angústia do homem em querer alcançar a custo a sua completude. Então, a partir desse “tecer” dos sonhos, dos desejos, ele cria as condições necessárias, dentro desse “claustro ” que é a mente humana. O homem vive alimentado pelos os seus desejos, isso vem desde, a infância pueril. Quem não lembra da colocação de Hamlet ( Shakespeare), onde ele afirma que o homem é escravo de seus desejos?! Se o homem não fosse movido pelos seus desejos teria o domínio de tudo. É interessante adotar uma visão permeada por desejos, porque sem eles, nao caminhamos. Isso suge na nossa fase de criança, é alimentado por nossos pais e na fase adulta, vamos atrás deles, dos…sonhos.

Uma vez adulto, o homem adquire condições próprias e atua, muitas vezes, desafiando as próprias convicções para ‘viver no limite’, do que acredita, ali os próprios desejos, a angústia, e tudo aquilo que sonhou. Então, o homem acaba lançando-se corajosamente na busca do gozo idealizado. Vive, desfrutar da plenitude daquela que é quase uma obrigação imposta pelo mundo pós-moderno, que é a obrigação de ser feliz’, de encontrar um parceiro ( a), ideal. Brinco. Na verdade, existe toda uma história aí por trás, que está muito mais ligada à condição de sobrevivência, do que necessariamente o amor. E para isso, tem-se que, levar em consideração a questão das mudanças culturais e pode-se se dizer também, até as científicas para ampliar a base de nosso conhecimento.

O amor, ele nasceu com a concretização do ” amor romântico “. Antes se via, muito a questão da manifestação do amor não pelo lado sentimental, mas pelo interesse movido a vontade alheia, ou seja, duas famílias queriam que seus filhos se casassem, ia lá e acertava a questão. Era um negócio. Na boa aqui pra nós, era um negócio, hoje é uma sociedade, e quando uma parte se sente lesada, acaba a parceria. Muito bem, deixemos a realidade de lado que pesa, vamos sós sonhos. São eles, os verdadeiros responsáveis por um pouco de bálsamo em nossas vidas.

Quando os casamentos deixaram de existir por conveniência dos pais, e passou a ser regido pelo sentimento, vieram as juras de amor eterno, ou como disse Vinicius de Moraes: ” …Eterno enquanto dure”. Afinal, ninguém manda no coração. Dessa forma, se continua amando e alimentando essa visão saudável do Amor. Tanto que, quando uma relação termina, o que se faz? Recomeça outro ciclo, ou seja, se procurar viver as delícias de um novo amor.

O amor tem muitas facetas, e cada uma delas tem a sua particularidade. Todavia, retomando o pensamento anterior, o de que o homem vive em função dos seus desejos, tal idéia coincide com a preocupação de encontrar e viver o amor na sua plenitude. É possível confundir amor? Às vezes, o homem ultrapassa limites que questiona a veracidade desse sentimento. É mais comum por exemplo, viver um amor idealizado idealizado do que viver verdadeiramente, um amor real. O amor real só existe porque a sua base é idealizada, do contrário, ele não teria condições próprias para a sua sobrevivência.

É real falar de uma hipocrisia institucionalizada sobre o amor? É possível! Uma sociedade que tudo transforma, é possível. Infidelidade, relações extraconjugais sempre existiram, mas mesmo diante dessa realidade, se busca encontrar o amor verdadeiro. As mulheres querem o amor baseado na teoria Freudiana. Já os homens desejam aquele que os poetas descrevem com foco num perfil carnal. Assim, fica difícil amar, porque há o desencanto criado pela própria sociedade. São as bases criadas pela própria sociedade que dificulta essa identificação genuína acerca desse sentimento. Mesmo assim, o amor continua sendo o pilar principal de toda relação.

Todavia,seja dentro de uma relação normal, ou mesmo dentro da família, é difícil reconhecê-lo. E talvez a pergunta msis difícil que se faca aqui é: como não tem amor? se em toda relação ele é o elemento principal? Veja, numa família onde um pai bate na mãe diante dos filhos, há amor? Amor a quem? Neste caso, entra um novo elemento que salva o respeito dos filhos por esse pai, que é a questão do afeto. Tem filho que vendo tudo isso, tem afeto pelo pai. É isso hoje que ajuda as famílias a serem reconhecidas, pelo seu valor, protegidas e Valorizar sem descriminação. Mas, e o amor? O amor é esse sentimento bom que faz com que se possa juntar e somar todas as dificuldades a realidade de cada situação revela, e ainda assim, nos faz acreditar na busca do par ideal…mesmo sabendo que ele não existe. ‘O amor é lindo nas entrelinhas’ e na pureza do que idealizamos a seu respeito. Acredito que cada um, deva cuidar para viver uma relação de maneira saudável , de modo que tudo possa ser permitido . Permitido num tempo possível. “Enquanto dure…” , como diz o poeta.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 4 de maio de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

2 comentários em “Amor: a idealização humana

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