Tome, Dr., está tesoura, e..corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomácea da lagoa
A cripógama cápsula se esbroa
Ao contacto de bronca forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;
Mas o agregado abstrato das saudades
Fiquei batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!
Augusto dos Anjos, Budismo Moderno ( Eu e outros poemas. Rio de Janeiro, Livraria São José, 1965)
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Santarém, Pá 1 de maio de 2020