O preço do feijão
não cabe no poema. P preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu sério de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
_ porque o poema, senhores,
Está fechado:
” não há vagas”.
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
não cheira.
Ferreira Gullar, Não há vagas. ( Toda poesia. Rio de Janeiro, 2009)
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 30 de abril de 2020