Mas eu enfrentei o Sol divino,
o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
Saberei porque a teia do Destino
não houve quem cortasse ou desatasse.
Não serei orgulho nem covarde,
que o sangue se rebela ao som do Sino.
Verei o Jaguapardo e a luz da Tarde,
Pedra do Sonho e cetro do Divino.
Ela virá- Mulher- aflando as asas,
com o mosto da Romã, o sono, a Casa,
e há de sagrar-me a vista o Gavião.
Mas sei, também, que só assim verei
A coroa da Chama e Deus, meu Rei,
assediado em seu trono de Sertão.
Ariano Suassuna, A morte- O Sol do terrível.
https://www. Culturagenial.com
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 16 de abril 2020