” Era um cavalo todo feito em lavas
recoberto de brasas e de espinhos.
Pelas tardes amenas ele vinha
e lia o mesmo livro que eu goleava.
Depois lambia a página, e apagava
a memória dos versos mais doloridos;
então a escuridão cobria o livro,
e o cavalo de fogo se encantava.
Bem se sabia que ele ainda ardia
na salsugem do livro subsistido
e transformando em vagas sublevadas.
Bem se sabia: o livro que ele lia
era a loucura do homem agoniado
em que o incubo cavalo se nutria.
Jorge de Lima
Imagem: Três anjos, de Jorge de Lima
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 8 de abril de 2020

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