Que inflexão se mostra, que constante
Se vê este penhasco! Já ferido
Do proceloso vento e já batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!
Não vi: nem hei de ver mais semelhantemente,
Retrato dessaingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer que, enternecido,
Seu peito atenda às queixas de um amante.
Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
Há de ceder aos golpes algum dia:
Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.
( In: Luiz Roncari. Literatura brasileira- Dos primeiros cronistas aos últimos românticos) Ano: 1995
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar.
Publicado por: VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 10 de março de 2020