Agosto de 1964

Entre lojas de flores e de sapatos, bares,

mercados e butiques,

viajo

num ônibus Estrada de Ferro- Leblon

Volto do trabalho, a noite em meio,

fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbuaud,

relógio de lilases, concretismo,

neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,

que a vida

Eu a compro à vista aos donos do mundo.

Ao peso dos importados, o verso sufoca,

A poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão

mas não ao mundo. Mas, não a vida,

meu reduto e meu reino.

Do salário injusto,

da punição injusta,

da humilhação, da tortura,

Do terror,

retiramos algo e com ele construímos um artefato

um poema

uma bandeira

Ferreira Gullar

(‘Toda piesia)

Literatura brasileira/2013

Ferreira Gullar tem uma longa produção. Como poeta ( 1930), ele foi um dos principais representantes da poesia social. Já na década de 1960 e 1970, entre no contexto do regime militar ( poesia dos anos de chumbo).

Ferreira Gullar fez parceria com muito a artistas, Entre eles, Amílcar de Castro e Lygia Clark.

Comentário: Marii Freire

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

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