Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados e butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro- Leblon
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbuaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida
Eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos importados, o verso sufoca,
A poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas, não a vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
Do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
Ferreira Gullar
(‘Toda piesia)
Literatura brasileira/2013
Ferreira Gullar tem uma longa produção. Como poeta ( 1930), ele foi um dos principais representantes da poesia social. Já na década de 1960 e 1970, entre no contexto do regime militar ( poesia dos anos de chumbo).
Ferreira Gullar fez parceria com muito a artistas, Entre eles, Amílcar de Castro e Lygia Clark.
Comentário: Marii Freire