Paixão de Cristo

A consciência, os gestos, as reações a respeito da data de hoje, reafirma a importância do amor. O Amor de um homem pela humanidade.

De comportamento simplório, Cristo conseguiu fazer penetrar no coração humano a certeza de que, todo aquele que crer em seu nome consegue vencer as aflições, as injustiças, a dores, e todas as atrocidades imagináveis…desse mundo.

Apesar de todo relato de perseguição, Cristo, conseguiu costurar a fragilidade humana com histórias reais. Pessoas com exemplos miseráveis, não admitido no imaginário humano, mas que ele com sabedoria fez os puritanos parecem mais impuros do que aqueles que eram considerados escórias da sociedade. Jesus discrimava? Não, assim como não excluía, ele agregava, aproximava as pessoas. Fazia-lhes observar através de seu exemplo que, o que mais importante era amar o próximo. Na terra, não há exemplo maior de honestidade. Ele jamais admitiu o comportamento de pessoas que só olhassem para dentro de si, o que ele queria era a consciência vinda a partir de um coração puro.

Eis o segredo para saciar o coração divino, ‘a pureza do coração’. É quando você é capaz de fazer algo por amor, sem pretensão alguma. Talvez por isso, se consiga compreender melhor o significado das parábolas perturbadoras. Esse era o grande diferencial em Cristo Jesus, fazer as pessoas refletirem a sua própria história, e assim, alcançar o desejável.

[…]

Que nós, possamos carregar conosco, não um único dia para reconhecer o valor da história daquele que tudo sofreu, mas que possamos sempre pensar nas nossas ações, e a partir desse exemplo, sermos capazes de fazer a nossa ‘travessia’, com paciência nas perdas e esperanças diante dos abismos.

[…]

Marii Freire Pereira

Imagine: via Facebook

Santarém, Pá 10 de abril de 2020

Seus olhos

Seus olhos _que eu sei pintar

O que os meus cegou _

Não tinham luz de brilhar,

Era chama de queimar;

E o fogo que a ateou

Vivaz, eterno, divino,

Como facho do Destino.

Divino, eterno _ e suave

Ao mesmo tempo: mas grave

E de tão fatal poder,

Que, um só momento que a vi,

Queimar toda a alma senti…

Nem ficou mais de meu ser,

Senão a cinza em que ardi.

Aos golpes do imigo,

Meu último amigo,

Sem lar, sem abrigo

Caiu junto a mi!

Com plácido rosto,

Sereno e completo,

O acerbo desgosto

Comigo sofri.

Meu pai a meu lado

Já cego e quebrado,

De penas ralado,

Firmava-se em mi:

Nós ambos, mesquinhos,

Por invios caminhos,

Cobertos d’espinhos

Chegamos aqui!

[…]

Eu era o seu guia

Na noite sombria,

A só alegria

Que Deus lhe deixou:

Em mim se apoiava,

Em mim se firmava,

Em mim descansava,

Que filho lhe sou.

Não vil, não ignavo,

Mas forte, mas bravo,

Serei vosso escravo:

Aqui virei ter.

Guerreiros, não coro

Do pranto que choro:

Se a vida deploro,

Também sei morrer.

Almeida Garret, Seus olhos.

Literatura brasileira. William Cereja e Thereza Cochar, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 10 de abril de 2020

Álvares de Azevedo

Já da morte o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,

E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito embalde no macio encosto

Tem o sono reter!…já esmorece

O corpo exausto que o repouso esquece…

Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,

Fazem que insano do viver me prive

E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá- me a esperança como que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já não vive!

( AZEVEDO, A. Obra completa. Ti o de Janeiro: Nova Aguilar, 2000)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 10 de abril de 2020

Olavo Bilac

” Morrerei de aflição e de saudade…

Espera! até que o dia resplandeça,

Aquece- me com a tua mocidade!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça

Repousar, como há pouco repousava…

Espera um pouco! deixa que amanheça!”

Olavo Bilac, tercetos. Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Beijo (1916), de Marc Chagall

Santarém, Pá 10 de abril de 2020

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomina.

Estou sem eternidades.

Não posso mais saber quando amanheço ontem.

Está rengo de mim o amanhecer.

Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.

Atrás do acaso servem insetos.

Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.

Essas coisas me mudaram para cisco.

A minha independência tem algemas.

Manoel de Barros. Poesia Completa, São Paulo, 2011.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 10 de abril de 2020

Florbela Espanca

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,

E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,

E a minha rubra boca apaixonada

Teve a frescura pálida do linho

Embriagou-me o teu beijo como vinho

Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,

E a minha cabeleira desatada

Pos a teus pés a sombra dum caminho

Minhas pálpebras são cor de verbena

Eu tenho os olhos garços, sou morena

E para te encontrar foi que nasci…

Tem sido vida fora o meu desejo,

E agora, que te falo, que te vejo

Não sei se te encontrei, se te perdi…

Florbela Espanca, Realidade. In: Charneca em Flor ( volume de poema publicados , após sua morte, 1931)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 9 de abril de 2020

Fazer o bem deixa a alma leve

Fazer o bem é a maior forma de doar-se ao outro”.

Marii.

De todas as virtudes do homem, o que faz com que ele seja, diferente dos demais, é a forma de como ele procura ter uma conduta reta. Como age, como se preocupa com os outros. Como esse ser é capaz de agregar na vida de outras pessoas. Penso que talvez, o maior exemplo de doação, foi justamente aquele que no auge de nossas misérias, faz-nos lembrar de seus ensinamentos, Cristo.

ELE, sempre esteve diante de nossas inquietações, como um apaziguador. E por mais difícil que seja, o bem sempre é uma ação assertiva. A partir DELE veio o exemplo, a nós, cabe repetir os seus gestos. Quem se doa, sente-se capaz, um ser humano completo. Um ser humano novo, mas novo no sentido de ser resposta, de ter a capacidade de transformar, melhor, de fazer surgir a esperança no olhar de quem às vezes, nada tem.

[…]

Há quem diga que falar de coisas boas, pensar nisso como um resultado, pareça ingênuo. Todavia, digo que não, pois a única riquezas que tem valor, e um valor a qual não se compra, é aquela que vem de dentro pra fora. Vem coração, vem da alma, ou seja, daquilo que sobrevive a essa casca que nos envolve. E caso não tenha notado, essa é a única riqueza que ao dividir você não briga. Não é interessante? Todas as outras, elas trazem divisão. Aqui, ocorre o contrário, você multiplica.

[…]

Muitas pessoas têm um dom natural de fazer o bem. É o ser humano que se coloca no lugar do outro, que fala de modo sábio, que procura incentivar, e que procura também converter as dificuldades em grandeza, ou seja, usa isso para promover o encorajamento. É sempre aquela que diz, “acredite mais em você”, vamos “não sofra”, ” você vai super”, ou seja, é um jeito dócil de pensar e incentivar, de estimular o intelecto de quem precisa. É como se ao agir assim, nós também, pudéssemos saldar o débito com o nosso próprio Eu. É um bem que se faz é um bem que se sente.

Fazer o bem, é uma espécie de resiliência que não nos deixa adoecer. É maravilhoso você encontrar na vida, pessoas tão cheias de energia, e que procura libertar-nos, ou voltar acreditar na vida de uma maneira tão delicada.

Essas pessoas têm um jeito de despertar em nós, sonhos e esperanças até as tardias, porque dependo do que falam , mexem com as nossas emoções. Nos seduzem com o jeito de olhar a vida, de reagir positivamente porque plantam amor em nossos corações. Elas nos decifram .

[…]

Nos faz acreditar na vida!

Marii Freire Pereira

Imagem: Google

Santarém, Pá 9 de abril de 2020

Gregório de Matos

[…]

Se pois como Anjo sois dos meus altares,

Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,

Livraria eu de diabólico azares.

Mas vejo, que por bela, e por galharda,

Posto que os Anjos nunca dão pesares,

Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

Gregório de Matos. Poemas escolhidos. Organização José Miguel Wisnik)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Minas e o seu passado colonial.

Santarém, Pá 9 de abril de 2020

Gente Humilde (Maria Bethânia)

Tem certos dias

Em que penso em minha gente

E sinto assim todo o meu peito se apertar

Porque parece

Que acontece de repente

Feito um desejo de eu viver

Sem me notar

Igual a como

Quando eu passava no subúrbio

Eu muito bem

Vindo de trem de algum lugar

E aí me dá

Como uma inveja dessa gente

Que vai enfrente

Sem nem ter com quem contar…”

Maria Bethânia, Gente humilde

Compositores: Chico Buarque, Garoto, Vinicius de Moraes

Fonte: LyricFind

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 9 de abril de 2020

Fernando Pessoa

” Cantigas de portugueses

São como barcos no mar –

Vão de uma alma para outra

Com risco de naufragar…”.

Fernando Pessoa, Quadras ao gosto popular. Lisboa, 1994

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinderest

Santarém, 9 de abril de 2020