João Cabral de Melo Neto, Tecendo a manhã ( A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Editora Alfaguara) Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013
Há quem pouco se identifique com a calmaria que o final do dia nos trás. Tem pessoas que naturalmente gostam de barulho, eu não. Gosto do silêncio que dentre outras coisas, possibilita retornar-me ao encontro do meu próprio eu.
Há quem venha contestar, alegando que tardes tristonhas, é motivo para sentir solidão. Claro, a solidão pode boa ou rim, depende de como se administra. Mas, se você sente falta de uma pessoa para conversar, namorar, ou transar, aí nesse caso, é carência. De fato, é bom arrumar companhia. Agora, a paz que as tardes de calmaria nos proporciona é uma dádiva divina. É uma injustiça não apreciar o movimento da vida e assim, não aprender a nos decifrar.
É uma honra estarmos diante de pessoas que aprenderam com a vida, com as dores, e tantas outras questões que as fizeram melhores. Melhores, porque aprenderam muito com o silêncio. Esse, dependendo da dose, também é saudável.
Todos nós, vivemos os nossos momentos de turbulência, desânimo, teimosia e desespero. São dias difíceis. De repente, se fica ansioso (a), irritadiça, às vezes até chega-se ao ponto do suicídio imaginário que é a vontade de sumir.
[…]
Se formos contabilizar, são muitas as nossas crises, mas o importante é saber superá-las. É conseguir, principalmente encontrar o motivo que nos leva a chegar a conclusão de o porquê, estamos nos sentimento assim, com vontade de explodir ou nós fechar. Há dias em que a mente bloqueia tudo, até a mane ira de pensar.
“Curioso, mas na nossa fase de criança, sabemos dizer aonde dói, por que depois de adultos a gente sufoca a dor?”
Imagino que o silêncio não é o motivo que nos leva a explodir vez ou outra. Todavia, é bom pensar antes de dar uma resposta. O silêncio é talvez, a nossa a nossa maior liberdade. Liberdade no sentido de nos fazer conhecer. E conhecer-nos, significa saber primeiramente, ter a capacidade de nos interpretar. Nos tornar, adultos satisfeitos, agora não como a criança de outrora, mas como quem perdeu o medo.
Silenciar é estarmos diante da pessoa que mais amamos _ nós mesmos! O prazer de olhar para as tardes como pessoas serenas e lucidas, é nobre.
Contemplar a beleza da vida nos dias de calmaria é tão sábio quanto a oração que se faz em silêncio.
Bem, após a morte de seu pai, a família de Ariano foi morar no interior do Nordeste. Lá Suassuna, acabou recebendo uma influência muito forte daquele lugar, tanto que em todo o seu trabalho, nota-se que ele explora a questão ligada a Tradição popular Brasileira, ou seja, Ariano demonstra muito esse “carinho “, pelo Sertão.
Os temas, bem como, os versos do escritor volta -se a questão que alimentar o imaginário popular. Ele pega aquilo que lhe foi um lugar seguro para viver durante a infância e trabalha isso de um jeito carinhoso. O encanto pela vida, embora tomada por situações conflitantes vividas pelo próprio Ariano devido a morte do pai, o leva a isto, a explorar sabiamente a história, a sua história com gestos de generosidade, ainda que dentro de um cenário perturbador, como disse, ocasionado pela perda trágica do pai. Então, conclue-se que o exílio para Ariano tenha significado a expressão trágica do mundo. Mas que, para nós, uma obra prima. Sem dúvida, Ariano Suassuna é um grande ganho a Literatura de modo geral. Eu só tenho que dizer: ” Bravo Ariano “. É bom que se leia a Biografia do autor para ficar por dentro de tudo.
Você precisa fazer login para comentar.