Tom Jobim

” Um cantinho e um violão

Este amor, uma canção

Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar

E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado

O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim

Até apagar a velha chama…”

Tom Jobim, Corcovado

Fonte: LyricFind

Imagem: Abril.com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Álvares de Azevedo

” Dá- me a esperança com que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já vive!”

(AZEVEDO, A. Soneto. Nova Aguilar, 2000)

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Olavo Bilac

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada

E triste, e triste e fatigado eu vinha.

Tinhas a alma fé sonhos povoada,

E a alma de sonhos povoada eu tinha…

E pararmos v de súbito na estrada

Da vida:longos anos, presa à minha

A tua mão, a vista deslumbrada,

Tive da luz que teu olhar cantinha.

Hoje, segues de novo…Na partida

Nem o pranto os teus olhos umedece,

Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,

Vendo o teu vulto que desaparece

Na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Bilac. Nel mezzo del Cammin. (In: Magaly Trindade Gonçalves et. Antologias. São Paulo, 1995)

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

João Cabral de Melo Neto

Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito que um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a amanhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendo para todos, no toldo

(a manhã) que planta livre de armação.

A amanhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto, Tecendo a manhã ( A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Editora Alfaguara) Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, 2013

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Paz interior

Há quem pouco se identifique com a calmaria que o final do dia nos trás. Tem pessoas que naturalmente gostam de barulho, eu não. Gosto do silêncio que dentre outras coisas, possibilita retornar-me ao encontro do meu próprio eu.

Há quem venha contestar, alegando que tardes tristonhas, é motivo para sentir solidão. Claro, a solidão pode boa ou rim, depende de como se administra. Mas, se você sente falta de uma pessoa para conversar, namorar, ou transar, aí nesse caso, é carência. De fato, é bom arrumar companhia. Agora, a paz que as tardes de calmaria nos proporciona é uma dádiva divina. É uma injustiça não apreciar o movimento da vida e assim, não aprender a nos decifrar.

É uma honra estarmos diante de pessoas que aprenderam com a vida, com as dores, e tantas outras questões que as fizeram melhores. Melhores, porque aprenderam muito com o silêncio. Esse, dependendo da dose, também é saudável.

Todos nós, vivemos os nossos momentos de turbulência, desânimo, teimosia e desespero. São dias difíceis. De repente, se fica ansioso (a), irritadiça, às vezes até chega-se ao ponto do suicídio imaginário que é a vontade de sumir.

[…]

Se formos contabilizar, são muitas as nossas crises, mas o importante é saber superá-las. É conseguir, principalmente encontrar o motivo que nos leva a chegar a conclusão de o porquê, estamos nos sentimento assim, com vontade de explodir ou nós fechar. Há dias em que a mente bloqueia tudo, até a mane ira de pensar.

“Curioso, mas na nossa fase de criança, sabemos dizer aonde dói, por que depois de adultos a gente sufoca a dor?”

Imagino que o silêncio não é o motivo que nos leva a explodir vez ou outra. Todavia, é bom pensar antes de dar uma resposta. O silêncio é talvez, a nossa a nossa maior liberdade. Liberdade no sentido de nos fazer conhecer. E conhecer-nos, significa saber primeiramente, ter a capacidade de nos interpretar. Nos tornar, adultos satisfeitos, agora não como a criança de outrora, mas como quem perdeu o medo.

Silenciar é estarmos diante da pessoa que mais amamos _ nós mesmos! O prazer de olhar para as tardes como pessoas serenas e lucidas, é nobre.

Contemplar a beleza da vida nos dias de calmaria é tão sábio quanto a oração que se faz em silêncio.

Marii Freire Pereira

Imagem: via Facebook

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

O Mundo do Sertão

“Diante de mim, as malhas amarelas

do mundo, Onça castanha e destemida.

No campo rubro, a Asma azul da vida

à cruz do Azul, o Mal se desmantela.

Mas a Prata sem sol destas moedas

perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;

e a Marca negra esquerda inesquecida

corta a Prata das folhas e fivelas.

E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,

que até o fim serei desnorteado,

que até no Parado o cego desespera,

O Cavalo castanho, na cornija,

tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,

ladrando entre as Esfinges e a Pantera…”

Ariano Suassuna, O Mundo do Sertão

https://www.culturagenial.com

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Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Aqui morava um rei

Aqui morava um rei quando eu era menino

Vestia ouro e castanho no gibão,

Pedra da Sorte meu Destino,

Pulsava junto ao meu, seu coração.

Para mim, o seu cantar era Divino.

Quando ao som da viola e do bordão

Cantava com rouca, o Desatino,

O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.

Mas mataram meu pai. Desde esse dia

Eu me vi, como cego sem meu guia

Que se foi para o Sol, transfigurado.

Sua efigie me queima. Eu sou a presa.

Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa

Espada de Ouro em pasto ensanguentado.

Ariano Suassuna, Aqui morava um rei

https://www.culturagenial.com.

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Marii Freire Pereira

Santarém, 17 de abril de 2020

Ariano no Exílio

Bem, após a morte de seu pai, a família de Ariano foi morar no interior do Nordeste. Lá Suassuna, acabou recebendo uma influência muito forte daquele lugar, tanto que em todo o seu trabalho, nota-se que ele explora a questão ligada a Tradição popular Brasileira, ou seja, Ariano demonstra muito esse “carinho “, pelo Sertão.

Os temas, bem como, os versos do escritor volta -se a questão que alimentar o imaginário popular. Ele pega aquilo que lhe foi um lugar seguro para viver durante a infância e trabalha isso de um jeito carinhoso. O encanto pela vida, embora tomada por situações conflitantes vividas pelo próprio Ariano devido a morte do pai, o leva a isto, a explorar sabiamente a história, a sua história com gestos de generosidade, ainda que dentro de um cenário perturbador, como disse, ocasionado pela perda trágica do pai. Então, conclue-se que o exílio para Ariano tenha significado a expressão trágica do mundo. Mas que, para nós, uma obra prima. Sem dúvida, Ariano Suassuna é um grande ganho a Literatura de modo geral. Eu só tenho que dizer: ” Bravo Ariano “. É bom que se leia a Biografia do autor para ficar por dentro de tudo.

Um forte abraço, Marii!

VEM comigo!

Imagem: Google.

Santarém, Pá 17 de abril de 2020

Pablo Neruda

Se você me esquecer

Eu quero que você saiba uma coisa

Você sabe como é isso

Se eu olhar para lua cristalina

No ramo vermelho do outono chegando

Se eu tocar perto do fogo

A cinza impalpável

ou o corpo enrugado do ramo

Tudo me leva a você

Como se tudo o que existe

Aromas, luzes, metais

Fossem pequenos barcos que navegam

em direção aquelas ilhas que esperam por mim

Bem agora, se pouco a pouco você deixar de me amar

Eu devo parar de te amar pouco a pouco

Se de repente você me esquecer

Não olhe para mim

Pois eu já devo ter esquecido você

Se você acha que isso é longo e louco

O vento das bandeiras

Que passa através de da minha vida

Você decide, Mas lembre-se, se você

Deixar me na costa do coração onde criei raízes

Nesse dia, nessa hora

Eu vou cruzar meus braços

E minhas raízes partirão para procurar outra terra.

Mas se, cada dia, cada hora

Você sentir que está destinada pra mim

Com sua doçura implacável

Se cada dia uma flor, escalar até seus lábios a minha

Procura

Lembre-se

Em mim todo esse fogo também existe

Em mim nada é extinguido ou esquecido

Meu amor se alimenta do seu amor

E enquanto você viver, estarei em seus braços

Pablo Neruda, Se você me esquecer

Tradução: Antonio Uila), pensador.com

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Uol

Santarém, Pá 17 de abril de 2020