É preciso falar sobre violência contra a mulher. Apesar de muito avançarmos cultural e socialmente falando, o problema é uma realidade que não se pode jogar para “baixo do tapete ” e fingir que ele não existe. Não, ele existe e continua fazendo as suas vítimas. A violência não escolhe classe social ou cor. A violência doméstica e familiar, ela faz parte de um processo histórico. É uma brutalidade cometida contra a mulher há séculos. Quem conhece a história da Maria da Penha, sabe que o caso dela, foi uma verdadeira ” via-crúcis “. Só após diversas pressões internacionais e nacionais, foi que o Brasil passou a levar este problema a sério. A Lei Maria da Penha, é um norte na vida de toda mulher que vive em situação de violência. Então, é preciso falar, assim como é preciso “encorajar” toda vítima a denunciar o seu agressor.
Certamente, você já ouviu essa pergunta por aí, digo “sobre o que é ter uma atitude de milhões?”
Bem, o ser humano tem infinitas possibilidades ao longo da vida. Mas, quando este é pobre, só há duas alternativas que possibilitam o seu crescimento de forma honesta, são elas: estudar ou trabalhar. Como disse o escritor mineiro Guimarães Rosa em Fatalidade/Primeiras Estórias: ” A vida tem poucas possibilidades ” Portanto, cabe a nós saber nos organizarmos no meio de tudo disso. Eu “sou uma mulher amante do conhecimento…” Adoro livros. Estes me fazem melhorar o raciocínio. Então, se é que você me entende, essa é a minha atitude de milhões.
Quando se fala em violência doméstica, a impressão que se tem, é a de que, esta só atinge os adultos. Afinal, são eles que promovem tal confusão, certo? Errado. A violência doméstica tem efeitos nocivos para a família inteira. Porém, quem mais sente os resultados negativos são as crianças.
Quando se fala em violência, não se fala somente a respeito da violência vivida pelo casal. Mas as marcas que isso deixa na vida dos filhos. Há casais que não se entendem, não se respeitam, não sabem conversar. Eles falam o que pensam diante dos filhos que assistem as agressões em silêncio.
Dentre as muitas razões que levam um casal a se confrontar, certamente, a primeira coisa a se considerar é a incompatibilidade de ideia. Você nota que falta respeito e em muitos casos, consideração pelo outro. Relações pautadas no respeito, não falta diálogo. Não tem essa coisa da disputa por quem tem mais poder, assim como quem “dita as regras na relação”. Tudo o que foge disso, são situações que ferem o universo da criança, ou seja, dos filhos de modo geral. É esse detalhe que é ruim para eles, porque não tem noção do que acontece.
Só para você ter ideia do que estou falando, “uma pesquisa realizada na Universidade de Toronto, revelou que das 17. 739 pessoas que responderam do Canadian Community Health Survey-Mental Health e deu foco aos 326 respondentes que afirmaram ter testemunhado violência doméstica parental (VDP) em mais de dez ocasiões antes dos 16 anos, desenvolveram depressão na idade adulta”. Ainda conforme a Revista Galileu, em relação a outros distúrbios, surge a ansiedade que também é resultado dessa violência vivida na infância. Em outras palavras, a violência praticada diante dos filhos tem efeito nocivo perante a vida adulta, que o que acontece com essas vítimas, como dizem os pesquisadores.
Histórias de transtornos psicológicos são comuns em crianças. Isso, porque a gente sabe que, a criança não está preparada para lidar com situações extremas. Claro, ela não tem mecanismos para saber administrar esse tipo de situação. Então, o resultado do que ela reprime, certamente, aparece na vida adulta. As transgressões de pessoas adultas, em especial os pais, elas ditam regras sobre a saúde dos pequenos.
Em situações onde você observa um lar com muitas brigas, humilhações, violência doméstica, e outros fatores, a criança, perde a referência do que certo e errado. Mais, ela perde a referência de que aquele pai ou mesmo, aquela mãe é. Ora, imagine, alguém que deve oferecer proteção, amor cuidado e carinho, tornar-se justamente, o oposto. Sim, tornar-se quem fere. Em relações extremas, como as que envolvem Alienação Parental, há casais que travam uma verdadeira guerra diante dos filhos. Quer dizer, um dos pais ou até mesmos os dois, praticam alienação parental. É uma guerra que se trava diante de duas pessoas que não conseguem se entender, ou seja, manter uma comunicação saudável, e que por cima, destrói a imagem um do outro perante o filho ou filha. A alienação parental ocorre com muita frequência entre casais que se separam. E qual o objetivo de tudo isso? Vingança ou mesmo, obter vantagem na ” desconstrução ” da figura daquele pai ou daquela mãe. Infelizmente, há adultos que perdem completamente a compostura e esquecem da criança.
Quando a criança percebe que, tem dois adultos ” berrando” sobre ela, como se diz “tornando aquela realidade um pesadelo” ela se sente sozinha. É nessas horas que se pergunta: ” Cadê o fascínio, cadê o brilho do olho dessa criança? Não tem. Ela se torna objeto de ” barganha ” entre os pais que brigam pelos próprios interesses. Esquecendo do principal que o interesse da criança.
Assim, o problema se instala, isso se já não existia antes. É bom dizer que há casais que brigam o tempo inteiro, desde o início da relação. Quando essa realidade é constatada, significa dizer que, a erosão do núcleo familiar é certa. Neste caso, existem outros problemas que abalam o bem-estar do casal, ou da família em si, assim como o da criança que é corroído pelos traumas. Então, o que vai acontecer é que, a criança cresce num lar cheio de problemas e pobreza afetiva, o que acaba contribuindo para um adulto inseguro que, no primeiro momento pode se vitimizar ou partir para o ataque, é que o que aconteceu muitas, essa criança passa a agredir também, pois foi o exemplo que teve. Ela viu pai e mãe brigando. Então, ela torna a repetir o problema.
Crianças que veem as mães sofrendo agressões, em geral, são mais inibidas, porque são parte também dessa violência. A violência, infelizmente, ela não só limita, como denigre a imagem de quem mais se ama que é mãe e pai. O filho ou mesmo a filha, se espelha muito nessas situações.
É importante ressaltar que adultos têm problemas. Aliás todos os casais têm, mas esses problemas não podem refletir diretamente na vida dos filhos, principalmente se estes são crianças. É necessário ter a sensibilidade de tomar alguns cuidados diante dos filhos para não lhes trazer transtornos para a vida adulta. Às vezes a relação acaba, mas o pai e a mãe devem pensar sempre no bem-estar das crianças. Afinal, filhos são para a vida toda.
Ricardo Reis. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. William Cereja e Thereza Cochar. Editora: Atual. 5 ed. reform. São Paulo, 2013
” O tempo traz o momento oportuno, aquele que acontece raras vezes, e que possibilita acessar novas realidades, sonhos, desejos e o mais importante, a esperança do que se contempla em silêncio. “
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