“ A expansão do domínio português terra a dentro, na constituição do Brasil, é obra dos brasilíndios ou mamelucos. Gerados por pais brancos, a maioria deles lusitanos, sobre mulheres índias, dilataram o domínio português exorbitando a dação de papel de Tordesilhas, excedendo a tudo que se podia esperar.”
Darcy Ribeiro. MOINHOS DE GASTAR GENTE/ Os brasilíndios
Nós somos frágeis. Somos criaturas que se reveste de uma metáfora chamada força para assim, parecermos que somos heróis de alguma coisa. Somos nada! A verdade é que somos iguais balões 🎈, na primeira alfinetada, aquele peito estufado, murcha. E aí, vemos o quanto somos sensíveis, dependentes de cuidado e afeto. Por isso, seja mais humano dentro de suas ações, porque no final, são elas que relevam as suas reais necessidades e interesses . Você tem necessidade de que? Ser visto para ser validado por algo ou alguma coisa? Ou deseja ajudar o próximo; como se diz “ deixar o exemplo de alguma coisa boa para posteridade ?” Se for assim, esse balão vai subir não porque você desejou que ele alcançasse grandes alturas, mas porque ele cabe em todo universo.
Falar a respeito de violência contra a mulher é mexer com estruturas sociais, é sobretudo tocar num tema espinhoso, complexo e incrustado em nossa sociedade. A violência, ela releva o que temos de pior, que é a forma horrorizada de tratamento. O grande problema é que aprendemos a sobreviver a violência na família, seja através do pai, da mãe, dos irmãos. Esse ciclo prejudicial tem consequências negativas que se leva para a vida toda. Então, você percebe que ele não vem de um lugar estranho, vem do lar. Portanto, quando se diz que uma mulher sofre violência ou passar por algum tipo de abuso, é porque ela deu permissão para que isso acontecesse em algum momento da vida ou seja, é porque já sofreu antes. A violência é uma velha maltrapilha que nos acompanha de longa data, mas que não desvia os seus horrores, porque ela sabe muito bem o que impor, e a quem quer atingir. Assim, todas às vezes que tocamos nesse tema, estamos falando sobre família, sobre poder, sobre regras e principalmente, hoje, não podemos “ responder positivamente a esse tipo de coisa” que são ideias especialmente patriarcais. Somos mulheres dignas de cuidado e respeito. Apesar de termos sido protegidas na infância, não precisamos levar essa imagem forte do másculo para o resto da vida ou em nossas relações. No geral, é o que se repete. Às vezes, a ideia do homem protetor, acaba dando lugar ao homem agressivo; ao homem que bate, e que perpetua essa violência com naturalidade. Muitas mulheres morrem por conta da violência, por conta de ideias que elas foram acostumadas. Mas é preciso dizer o seguinte:
“ Nenhuma mulher morre sem afeto. Morre pela excessiva falta de cuidado consigo mesma.”
“ Não é porque eu te amo que vou deixar você falar comigo de qualquer forma”; tratar de qualquer maneira. O amor não é o bastante para certificar esse tipo de coisa; nem reprimir as emoções para que cenas de violência se repitam com constância. Veja, se uma mulher sofre violência e se submete a qualquer tipo de situação, o homem a mata – e quaisquer outros tipos de violência. Por isso, o recado que deixo é: diga “ não “ a violência.
Todos nós caminhamos; uns não sabem exatamente para onde. Mas, nesse passo a passo, buscamos por crescimento pessoal, espiritual, pela superação de traumas, saúde ou simplesmente, evoluir. Aqui, não importa o seu destino, pois as possibilidades de alcançar o que você deseja, são infinitas. Enfrente as adversidades e configure a vida na sintonia do seu bem-estar.
A sensibilidade pertence aos poetas, as poetisas ( homens e mulheres) que podem enxergar, além da imagem, da dor represada nos recônditos impuros, do caos às ondas do mar; tudo que agita o pensamento, pode ser sentido.
Algumas dores são intraduzíveis, pela forma, significado e tamanho. Todavia, olhar para elas é necessário. E apesar de doloroso, é só diante desse encontro, digo “ identificando a causa” que você pode tratar. Às vezes, o tempo pode ajudar, – se os pensamentos não forem carregados de toxidade. Já em outros, é só abrindo a cela do que aprisiona.
A trajetória da mulher em nossa sociedade é uma coisa fantástica. Depois de séculos de opressão, de negação de direitos, presa a regras morais e sociais; vítima da insensatez e arrogância do homem que a sempre teve como objeto de dominação, e hoje, ainda somando todos os resultados negativos desses prejuízos, porém, cada vez mais ciente de seu papel, a mulher tem se mostrado audaciosa.
A mulher é uma criatura que aprendeu como liderar, claro- não só a cozinha, mas o mundo. E o segredo é e a “ mudança da própria história “ ; mudança estilo de vida, de sonhos, ambiente e fala.
Há quem diga que não, que a “ estória” não é assim. Eu, reafirmo: é. Na mente de algumas pessoas, não. Na mente retrograda e discursos permeados de machismo, falas que ultrapassam todos os limites, vemos muita incoerência, inclusive em atitudes humanas. Se por um lado, lutamos por ter os nossos direitos respeitados, por outro tem aqueles que querem manter seus privilégios, e para isso adotam posturas extremistas, como “ matar “ uma mulher que não baixa a cabeça e diz “ sim, meu senhor!”. Todavia, depois de tantas mudanças significativas que aconteceram em relação à mulher; o mundo nunca mais foi o mesmo.
A mulher tem lidado com regras menos rígidas, aqui em especial, as regras que lhes permitem fazer escolhas, viver as suas próprias experiências, e não ficar presa à ordem do outro, até sucumbir a morte, como ocorria no passado. Hoje, a mulher pode escolher se deseja casar-se, ter filhos, cuidar de um pet. É direito dela! Se ela quiser viver uma relação amorosa, vive. Se viver e achar que não é bom pra ela e justo; pode se separar. Quer dizer, não há imposição ou “ obrigação “ a nada. Embora, muitas ainda vivam relacionamentos doentios por exemplo, o que injustificável, é preciso dizer o seguinte:
“ A mulher precisa compreender que ela não tem que se sujeitar a nada.”
Essa frase, inclusive é do meu segundo livro ( O Amor Verdadeiro Contesta). A mulher precisa compreender é que ela tem que se tratar com dignidade; ter consciência sobre o que é negociável e as coisas que não são. Tudo começa por isso, digo “ por esse juízo de valor” que nos enche de vida, e ajuda a escrever a biografia do personagem que se interpreta nesse mundo. Há muitas histórias, porém, eu te pergunto: Qual é a história que você está vivendo? Superar os fatos, superar a negação dos nossos próprios direitos, assim como não sucumbir diante disse é preciso. Pois é só olhando adiante que reconstruímos os sonhos e a alegria de viver.
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