A mulher que lut; a mulher que reivindica, grita e denuncia a violência, é a mulher que se volta contra o que está errado. De preconceito e imposição de limites, é para se questionar tudo. Pois só assim, se consegue romper com a força do que muitas vezes é invisível, porém, cruel. Do mesmo modo que, ao agir dessa forma, se procura tratar o que fere a nossa dignidade.
O grande desafio que o Brasil enfrenta é alcançar a necessária lucidez para concatenar essas energias e orientá-las politicamente, com clara consciência dos riscos de retrocessos e das possibilidades de libertação que elas ensejam. O povo brasileiro pagou, historicamente, um preço terrivelmente alto em lutas das mais cruentas de que se tem registro na história, sem conseguir sair, através delas, da situação de dependência e opressão em que vive e peleja. Nessas lutas, índios foram dizimados e negros foram chacinados aos milhões, sempre vencidos e integrados nos plantéis de escravos.”
Darcy Ribeiro. O POVO BRASILEIRO/ A formação e o sentido do Brasil.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 3 ed. Editora: Global. Paulo Paulo, 2015
O objetivo principal da escolha desse tema é chamar atenção para o aumento dos casos de feminicídio em nosso país. Claro, levando em consideração também a saúde mental e emocional dessas mulheres que muitas vezes, por se verem envolvidas nesse tipo de relação, não enxerga na pessoa do agressor ou manipulador emocional ( homem x mulher), a questão do abuso. Para muitas dessas vitimas, as brigas são normais. Veja, não é que um casal normal não tenha divergências de ideias, tem. Mas não existe “ o lado doentio”. O que é doentio nesse modelo de relação é a violência; é o lado manipulador do parceiro/parceira que muitas não entendem, porque neste caso, o abuso dar-se na mente dessa vítima, onde, ora o manipulador constrói um abismo alicerçado na crueldade. Ora, trata a mulher com um “ apelo emocional “ muito forte, onde ele cria uma barreira de resistência; impedindo que suas vítimas saiam desse tipo de situação.
A vocação literária não nasce ao acaso. Ela nasce da entrega, e torna-se uma experiência intensa e prazerosa, a medida em que, o escritor se embrenha na sua própria composição.
“ A expansão do domínio português terra a dentro, na constituição do Brasil, é obra dos brasilíndios ou mamelucos. Gerados por pais brancos, a maioria deles lusitanos, sobre mulheres índias, dilataram o domínio português exorbitando a dação de papel de Tordesilhas, excedendo a tudo que se podia esperar.”
Darcy Ribeiro. MOINHOS DE GASTAR GENTE/ Os brasilíndios
Nós somos frágeis. Somos criaturas que se reveste de uma metáfora chamada força para assim, parecermos que somos heróis de alguma coisa. Somos nada! A verdade é que somos iguais balões 🎈, na primeira alfinetada, aquele peito estufado, murcha. E aí, vemos o quanto somos sensíveis, dependentes de cuidado e afeto. Por isso, seja mais humano dentro de suas ações, porque no final, são elas que relevam as suas reais necessidades e interesses . Você tem necessidade de que? Ser visto para ser validado por algo ou alguma coisa? Ou deseja ajudar o próximo; como se diz “ deixar o exemplo de alguma coisa boa para posteridade ?” Se for assim, esse balão vai subir não porque você desejou que ele alcançasse grandes alturas, mas porque ele cabe em todo universo.
Falar a respeito de violência contra a mulher é mexer com estruturas sociais, é sobretudo tocar num tema espinhoso, complexo e incrustado em nossa sociedade. A violência, ela releva o que temos de pior, que é a forma horrorizada de tratamento. O grande problema é que aprendemos a sobreviver a violência na família, seja através do pai, da mãe, dos irmãos. Esse ciclo prejudicial tem consequências negativas que se leva para a vida toda. Então, você percebe que ele não vem de um lugar estranho, vem do lar. Portanto, quando se diz que uma mulher sofre violência ou passar por algum tipo de abuso, é porque ela deu permissão para que isso acontecesse em algum momento da vida ou seja, é porque já sofreu antes. A violência é uma velha maltrapilha que nos acompanha de longa data, mas que não desvia os seus horrores, porque ela sabe muito bem o que impor, e a quem quer atingir. Assim, todas às vezes que tocamos nesse tema, estamos falando sobre família, sobre poder, sobre regras e principalmente, hoje, não podemos “ responder positivamente a esse tipo de coisa” que são ideias especialmente patriarcais. Somos mulheres dignas de cuidado e respeito. Apesar de termos sido protegidas na infância, não precisamos levar essa imagem forte do másculo para o resto da vida ou em nossas relações. No geral, é o que se repete. Às vezes, a ideia do homem protetor, acaba dando lugar ao homem agressivo; ao homem que bate, e que perpetua essa violência com naturalidade. Muitas mulheres morrem por conta da violência, por conta de ideias que elas foram acostumadas. Mas é preciso dizer o seguinte:
“ Nenhuma mulher morre sem afeto. Morre pela excessiva falta de cuidado consigo mesma.”
“ Não é porque eu te amo que vou deixar você falar comigo de qualquer forma”; tratar de qualquer maneira. O amor não é o bastante para certificar esse tipo de coisa; nem reprimir as emoções para que cenas de violência se repitam com constância. Veja, se uma mulher sofre violência e se submete a qualquer tipo de situação, o homem a mata – e quaisquer outros tipos de violência. Por isso, o recado que deixo é: diga “ não “ a violência.
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