Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo insano a exilada.
Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!
Eu sempre fui assim este Mar- Morto,
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram.
Caravelas doiradas a bailar…
Ai, quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que lancei à vida, e não voltaram…
Florbela Espanca. Caravelas
ESPANCA, Florbela. V. 2/ Florbela d’Alma da Conceição Lobo Espanca. Porto Alegre: L& PM, 2018
Marii Freire
https://Pensamentos.me/VEM comigo!
Imagem: Arquivo pessoal ( Pensamentos.me)
Santarém, Pá 1 de setembro de 2025






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