O feminicídio é em parte, um processo de toda violência que a mulher sofre antes do homem ceifar a sua vida. Primeiro, vem a fala baseada no controle, a humilhação, o menosprezo; atitudes limitadora que expressam poder. Após isso, ameaças constantes de morte, sempre acompanhadas de adjetivos pejorativos como “ Eu vou te matar vagabunda!”. O feminicídio portanto, é anunciado, imposto e declarado a vítima, de modo que, o seu resultado deixa um lastro de sangue em cada ação, ainda que muitas vezes invisível as pessoas mais próximas a vítima.
A espera só vale a pena se for certa. Se for demasiadamente desconfortável e demorada; com restrições que no fim, denota uma qualidade baixíssimo daquilo que o ponteiro do relógio exige, e que isso consome não só a paciência, bem como esgarça a esperança, certamente essa espera é perda de tempo.
Escrever sobre violência para mim é algo extremamente importante, porque eu sei o quanto essa realidade pesa na vida da mulher que é vítima desse tipo de situação. Mas também não posso deixar de dizer que, mesmo em meio a invisibilidade da importância do meu trabalho para alguns, eu vou continuar escrevendo, porque eu não suporto injustiça. A minha fala é um canal de comunicação, de informação e tudo isso é poder; poder através da escrita.
Essas mulheres vão ficar bem informadas, vão poder falar sobre isso com outras mulheres. Eu Marii, me propus fazer um trabalho de conscientização. Portanto:
Eu luto só. Mas eu luto lúcida!
Pois o que é certo, continuará sendo sendo, ainda que o errado obtenha sucesso, eu não deixarei de lutar. Eu sonho sim, como toda mulher, viver numa sociedade mais justa; ainda que essa ideia seja escrita por mim, e até aonde for capaz de ir, farei justiça. Fazendo por mim, eu faço por todas.
Não vou entrar no mérito da questão, mas pregar o ódio à mulher é retrogrado. Quantas barbaridades aconteceram de lá para cá? E quantas mais, ainda precisam acontecer para que possamos entender os monstros que nós mesmos estamos criando e alimentando com sangue humano? Você tem sangue nas mãos? Eu não.
O Brasil vive um momento muito difícil em relação a violência contra a mulher. Nos últimos dias, temos visto atos inumanos que mostra não só como a violência tem aumentado, como também nos revela a face cruel dessa realidade que resulta num processo doloroso vivido por vítimas nas mãos de seus algozes, como na cena horrenda em que o homem atropelou e arrastou a mulher cerca de 1km debaixo do carro. Em outro momento, tem-se mais um exemplo dessa violência praticada com requinte de perversidade. Desta vez, o ocorrido foi em Recife, onde o companheiro da vítima provocou um incêndio criminoso, fazendo com que ela e os quatros filhos morressem nesse ato horrível.
O Brasil é um dos cinco países que mais mata mulheres ( feminicídio), e que enfrenta também obstáculos de injustiças diárias. Só para se ter uma ideia do que estou falando em 2024, 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio; maior número, desde a tipificação que revela que ( 4 mulheres são mortas por dia) no lar, por companheiros e ex-companheiros.
Quando se olha para essa realidade, nota-se a a necessidade de um número maior de medidas protetivas, porque essas mulheres ficam vulneráveis, e esses monstros se aproveitam de pequenos momentos para praticar essa crueldade.
Quando uma mulher morre pelas mãos desses agressores, isso também nos afeta por são crimes que nós conhecemos os horrores, e que eles provocam na sociedade medo, mas também o sentimento de revolta especialmente por conta da covardia. Covardia essa que deixa inocentes órfãos por conta de uma violência que é conhecida e tem nome: violência doméstica. Portanto, não nos calemos porque precisamos enfrentar de frente esse problema com coragem e determinação.
Você já notou como se tem propagado esse ódio, essa aversão às mulheres, seja em falas que rebaixa; inferiorizar a mulher, especialmente, falas de cunho sexual? São manifestações verbais que inclusive, inspiram e contribuem para prática de violência e discriminação. Na verdade, a misoginia não representa só a fala, mas também um comportamento que procura criar esteriótipos de que todas as mulheres são inferiores e, por isso, estas, devem ser tratadas de forma também inferior. Quando se olha para essa questão, se percebe que o encorajamento dessa prática, termina sempre contribuindo para um número maior de injustiças em relação a mulher. Claro, como se já não houve outras formas de violência difíceis de lidar. Mas, mais do que a propagação desse ódio, é importante haver consciência para combater o problema, especialmente pelo custo que ele tem na vida das mulheres. Por isso, vamos juntos dizer “ não “ a misoginia.
A resposta em relação a violência contra a mulher, vai muito além da lei. 50% desta, tem ligação com a educação. Não adianta educar os meninos da mesma forma que se educa e acreditar que na prática, o resultado dessa educação será diferente; não vai.
O enem / UNAMA 2025, ocorrido em Belém do Pará, aplicado domingo por conta da COP30, revelou um detalhe que chamou atenção dos candidatos. Na sala de provas, havia uma cadeira vermelha que destacou-se pela frase que dizia:
“ Está cadeira está vazia pois uma mulher que poderia estar estudando foi vítima de feminicídio.”
A cadeira faz parte de uma ação que procura conscientizar a comunidade acadêmica acerca do problema. O Ser Educacional ao trazer esse tema à baila , revela não só a preocupação por meio da frase, como mostra que a violência deve ser combatida diariamente.
Em 2024, o Brasil bateu um novo recorde de mortes de mulheres. Só para você ter uma ideia do que estou falando, cerca de 1.492 mulheres foram vítimas.
O que essa violência nos mostra? Essa violência nos mostra que essas mulheres perderam não só as suas vidas, os seus sonhos, a felicidade de estarem com seus filhos ou seja, a “ perda de uma possibilidade “. Sim, estudar seria uma delas. Portanto, cada mulher que é morta, deixa uma cadeira vazia na sala de aula, na mesa e na “ consciência dos seus”. O feminicídio dizima vidas todos dias.
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