Como escritora, eu compreendo que um dos caminhos que podemos trabalhar para combater a violência contra a mulher em nosso país, é o caminho da informação. Sem dúvida, grande parte das mulheres que ainda sofrem dentro de seus relacionamentos, isso ocorre pela falta de conhecimento; falta de informação, de entender quando existe abuso dentro da situação cotidiana que elas vivem. Veja, se uma mulher levar um tapa, ela vai dizer “ opa, ele me bateu!”. Isso é perceptível, isso “ deixa marcas”. Mas, se ela vive um relacionamento abusivo e tem a sua “ autoestima minada” dentro de discussões calorosas e não compreende o que há por trás disso? Se essa mulher acha que palavras ditas de qualquer forma faz parte da relação. É o que acontece dentro dos relacionamentos doentios e, as pessoas ignoram.
É por isso que a informação é preciosa demais, porque ela orienta, porque ela “ ajuda” essas vítimas a ultrapassarem vários obstáculos, entre eles, o obstáculo da ignorância.
Empoderar é reeducar essas mulheres. Mais, empoderar é ajudá-las a reconhecer seus próprios direitos; direitos a educação, a saúde, a dignidade e outros.
Quando essas mulheres que são vítimas de violência doméstica, conhecem seus direitos, naturalmente ampliam a maneira de como veem o mundo e passam a ter coragem de falar sobre as suas experiências por conta desses “ gatilhos de alertas” a respeito da violência que sofreram e que serve para o seu despertar, – não só da violência, mas também de outras dores. O maior sinal de que uma mulher compreende o que há por trás dessa provocação; que é o fato de ajudá-la a despertar, é justamente fazer a mesma, denunciar o que está errado. Se antes ela calava. Agora, ela deixa de aceitar.
Marii Freire. Violência Contra a Mulher
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Imagem: autoral
Santarém-PÁ, 3 de novembro de 2026/Amazônia. Brasil
