A violência contra a mulher poderia ter penas mais severas [ se quisessem] conter o problema de uma maneira mais eficaz.
“ O homem só respeita aquilo que o coloca medo. Enquanto, a violência for um fator que coloca medo na mulher, ele vai continuar se sentindo confortável para matá-la.”
A ordem que inicialmente trará uma resposta mais adequada para essa situação, infelizmente é drástica. Enquanto, o homem desdenhar da lei Maria da Penha, a verdade é que, vamos continuar vendo mulheres sendo mortas todos os dias. E a justificativa do homem é “ eu quero ver a lei que vai me parar”. A segurança dos homens violentos é ter certeza de alguns benefícios que a lei os atribui. Quem age perversamente, age porque sente segurança para isso. Todavia, muda a legislação brasileira para constar se a segurança desses homens que apresentam comportamentos violentos, continua sendo a mesma.
E, para certificar o que digo, observe a consistência desses comportamentos violentos. Evidentemente, que muitos vai continuar desafinando a lei, mas outros vão pensar melhor diante das diversidades que podem enfrentar. Isso não é desumano? Não é. Desumano é essas mulheres sendo mortas diariamente por circunstâncias fieis atreladas as necessidades desses homens. Isso é cruel. A questão aqui, não é julgar é assegurar o direito à vida da mulher. Mas a vida da mulher vale mais do que a do homem? Veja, a questão não é tratada na balança para atribuir tamanho peso. Mas, a busca de uma resposta que traga segurança para ambas as vidas. O homem que não mata, ele protege a vida dele, assim como a da companheira ou ex- companheira.
A questão que urge, é conter a desordem. É impossível criar condições a resposta que a sociedade almeja no sentido de conter o número crescente de feminicídios, se aquele que ceifa a vida de sua ex- companheira, não passar a temer a lei. Aqui, torno a afirmar “ o homem precisa ter medo da resposta do que pratica”. Tal afirmação, causa-lhe um desconforto necessário, e ao mesmo tempo, uma escolha benéfica. Pois, o que faz pensar nas consequências dos próprios atos e, entender que ele não pode “ violar “ o direito do outro, ainda que, neste caso, aquele que ele tenta arruinar, seja a vida da mãe de seus filhos, namorada ou ex- companheira, é o medo.
Diante das razões mencionadas, afirmo que Justiça também se faz dentro dos seus limites. A lei existe para proteger o direito de todos, e nunca só de uma pessoa, porque quando se prioriza a justiça, bem como a proteção é endereçada a uma única pessoa, naturalmente, se despreza o direito de quem foi morto. E morto nesse caso, sem que essa pessoa tenha o direito de escolher “ ter direitos“ entre eles, a vida e a própria dignidade.
Marii Freire. Violência Contra a Mulher
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Imagem: autoral
Santarém-PÁ, 30 de outubro de 2026/ Amazônia.Brasil
