O feminicídio é um problema global e que, infelizmente, mostra através da violência, a forma barata com que sempre se matou a mulher no mundo inteiro.
O feminicídio é parte de nós, parte que dizima vidas a troco de nada. Isso tem que incomodar mais do que a luta das mulheres que visa acabar com essa realidade. Portanto:
“ O feminicídio não pode incomodar, mais do que o feminismo. Pois, enquanto essa for a questão central do problema, a mulher vai continuar sendo morta pelo mesmo grau de indiferença.”
O que assusta em relação ao fato, é o silêncio de muitos; a indiferença que vai se acomodando nos cômodos da mente, nos comportamentos e nas “ justificativas “ que inclinam-se para questões muito menores, do que essa realidade sangrenta que vemos. E que na prática, não basta concordar com a dor quando há uma morte e se lamenta, encerrando o fato com uma lágrima ilegítima, porque a alma pode ficar esgotada, mais a nossa consciência sobre essa situação, não.
Ninguém se separa de um filho de forma repentina; ninguém pede desculpa pela ousadia ou pelo simples direito de dizer “ não “ a um agressor. Da mesma forma, nenhuma mulher se despede dos pais para dizer “ fulano “ tem o direito de tirar a minha vida. Isso é insano. A luta pelo fim da violência, assim como, o feminicídio representa um passo histórico de lutas femininas, e da desconstrução de uma sociedade patriarcal “ que nos veem e trata com um nível de raiva muito primitivo. Eu sinto que nós mulheres, precisamos dessa raiva para indignação e para reagir diante do que nos desumaniza.
Nós precisamos lutar por respeito e para isso é preciso encarar a realidade sem frescura, porque se ficarmos “ perdoando” , nada muda. E a mudança vem do fato, de canalizar a nossa energia por esse ideal a ser conquistado.
Marii Freire. Feminicídio
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Imagem: autoral
Santarém-PÁ, 16 de outubro de 2026/ Amazônia. Brasil