Não Existe Feminicídio
A Eduarda Campopiano do PL, eleita para deputada estadual de São Paulo, afirma reiteradamente que “ não existe feminicídio”. Ela com essa frase que circula na internet, inspirou muitas mulheres inclusive, a votarem nela, justamente sob essa expectativa de que não existe feminicídio em nosso país.
Acredito que tudo o que vivenciaram as nossas avós, mães e hoje ainda, parte de nós que é o fato de muitas tomarem surras, levarem socos no olho, na boca e tendo os dentes quebrados; sendo estupradas ( estupro marital) que infelizmente, ainda é uma realidade; sendo incapacitadas de falarem, sofrendo com dor e ignorância do companheiro; mulheres tendo partes do corpo deformados, mãos decepadas- e muitas que sobrevivem dos ataques fulminantes de um homem e ficam numa cadeira de rodas para o resto da vida, não sofreram tentativas de feminicídio? E quanto aos profissionais da saúde que lidam diariamente com essas mulheres que recorrem ao SUS para receberem tratamentos adequados? E quanto ao Judiciário que tem milhares de processos em todas as comarcas sobre violência doméstica? Mais, que delegados, delegadas, os meus colegas advogados e advogadas que trabalham nessa seara do Direito Penal, eles são capazes de negar essa realidade, especialmente por conta dessa ilusória expectativa que também têm que se adequarem as condições da fala da Eduarda? Se feminicídio não existe, o que o sustenta que é a violência, essa também pela lógica dessa deputada, não existiria. Veja que maravilha: estamos no paraíso da ignorância; onde podemos e temos a capacidade por exemplo, de oferecer “ assistência psicológica” a “uma menina que é estuprada e tem que levar a gestão até onde ela pode”, como afirma a própria Eduarda.
É notório que a deputada é uma influenciadora com grande grau de persuasão nas redes sociais, mas não questiona; acredita e afirma que tudo por ser mudado pela ótica pessoal e com muita energia, encoraja outras pessoas a verem o mundo por um único viés, o seu.
“ O meu senso de justiça, não me permite compartilhar da maneira como pensa essa moça; não só pensa, mas afronta uma sociedade inteira “
Eu, Marii não questionaria juristas, médicos, psicólogos, juízes diante de um ativismo posto de qualquer maneira ou levaria tantas pessoas para uma direção tão específica ( precipício ) como diversos elementos encontrados numa fala e forma de pensar/ influenciar as pessoas como elas mesmas se deixaram envolver diante dessa mentalidade medíocre que ensina superar os obstáculos de forma simples, porém, perigosa.
Os espaços de poder e fala que nós mulheres conquistamos, ele também se torna arriscado, especialmente quando quem chega a ele, pessoas não nos representa. Representa claro- uma minoria específica, mas a prática, não se pode dizer que um ser humano assim, é um agente confiável de transformação. E quanto ao feminicídio, ele existe. E ainda que o negue, esse crime fala por si só. Parabéns Instituto Maria da Penha – IMP por ter uma mulher que lutou para o Brasil enxergar a violência doméstica e familiar. E mesmo tendo uma representatividade tão forte, como é a Maria da Penha, assim como uma lei que recebe seu nome, o Brasil precisa de pessoas que não neguem esse crime, mas lutem para que as mulheres vivam com segurança.
Marii Freire. Não Existe Feminicídio
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Imagem: Pinterest: CLAUDIA
Santarém-PÁ, 9 de setembro de 2926/Amazônia.Brasil
